
Não foi suborno, mas uma maneira que um pastor evangélico e a esposa dele encontraram para se desculpar da trabalheira que deram ao delegado Fabrício Lucindo Lima, após a mulher ter furtado um celular, que foi devidamente ressarcido. A história verídica vivida pelo delegado Fabrício Lucindo Lima vai "prender" a sua atenção:
Olá meus caros leitores, em nossas ultimas conversas, nos nossos últimos textos, cuidamos mais dos casos policiais pitorescos do que das tragédias policiais, pois é uma vertente que poucas pessoas conhecem dos trabalhos policiais, todos tem a impressão que convivemos exclusivamente com tragédias, mortes e crimes, mas não é bem assim, convivemos também com casos bem engraçados e intrigantes.
Hoje gostaria de falar vocês sobre meu ultimo dia em Santa Maria de Jetibá, a capital econômica das montanhas capixabas, a cidade mais Pomerana do Mundo e o maior produtor do ovos do Brasil.
Pois bem, era meu último dia em Santa Maria de Jetibá, havia sido transferido para nossa amada Linhares, Sooretama e Rio Bananal. Arrumando minhas coisas, limpando a mesa e as gavetas, pegando meus últimos cacarecos, me despedindo dos amigos que fiz, dos colegas de trabalho.... Então, eis que surge na delegacia mais uma vítima de crime de furto de celular, registra a ocorrência e nos pede ajuda para recuperar o aparelho, nos passando todas as informações necessárias.
Pensei, vamos esquentar o último dia, vamos atrás do celular... Chamei nossos valorosos investigadores Liberato e Elton e passamos a diligenciar a procura do celular furtado. Dirigimo-nos primeiramente, a zona rural do Município, uma residência de uma amiga da vítima, uma suspeita. No local conversamos demoradamente com a pessoa,, que de imediato nos confessou que realmente tinha surrupiado o aparelho de telefonia móvel, mas que tinha emprestado para uma amiga no bairro Vila Jetibá.
Bom, com essas informações, levamos a moça para nos indicar a casa da tal amiga que estava com o celular furtado. Saímos de uma granja na zona rural do município e fomos para o outro lado da cidade em busca da tal amiga. Ao chegarmos ao local, na casa indicada, descobrimos que era uma mentira de nossa suspeita, a tal moça nunca morou no local e ninguém a conhecia. Dalí seguimos para outro possível endereço indicado pela surrupiadora, e lá também não encontramos a tal pessoa que estaria com o celular furtado.
Neste momento, já havia passado da hora do almoço, então resolvemos voltar para a delegacia, pois a gatuna estava nos passando informações para lá de mentirosas, provavelmente a tal mulher que estaria com o celular nem existia. No caminho de volta para a Delegacia, a moça resolveu falar a verdade: disse que o celular estava em sua casa, aquela casa lá na zona rural do município, e nos disse que no momento que saia de casa em nossa companhia, entregou o celular discretamente para o marido.
Resolvemos então voltar para a roça, na casa da moça, para recuperar definitivamente o celular. Ao chegarmos ao local, nos deparamos com o marido da nossa suspeita, um pastor evangélico conhecido da região. Ele nos informa primeiro que jogou o celular em um pasto nas proximidades, onde procuramos incansavelmente e não o encontramos; depois ele informa que jogou o celular em um poço artesiano, procuramos e não encontramos. Daí ele resolve dizer que a sua esposa, a surrupiadora de celulares, não havia lhe entregado nada. Pois bem, cansados de tanta mentira, levamos os dois para delegacia, para formalizar a tomada de depoimentos e interrogatório.
Durante o trajeto, dentro da viatura, o tal pastor evangélico nos diz que não tem como devolver o celular, mas gostaria de pagar o prejuízo da vítima. Desta forma, ligamos para o patrão do sujeito e este emprestou R$ 800,00 (oitocentos reais) para pagar o prejuízo da vítima. Tudo resolvido, a vítima foi ressarcida de seu prejuízo e o casal foi indiciado por furto e irá responder judicialmente pelo feito.
Finalizando a ocorrência, o pastor evangélico e sua esposa, indiciados por furto, chamam um dos investigadores e agradecem a paciência que os policiais civis tiveram com o casal, pedem desculpas pelo furto e pelo ocorrido, e como tinham um pequeno cultivo de melancias dizem: - Olha, nós gostaríamos de oferecer a vocês uma melancia, foi colhida ontem e está muito doce, para compensar o trabalho que nós demos à vocês. O Investigador de pronto responde: - Quero não! desculpe, semente demais!!!! ( CÊ MENTE DEMAIS).
Fabrício Lucindo Lima é delegado da Polícia Civil, atual chefe da 16ª Delegaria Regional de Linhares (DRL).
Mín. 16° Máx. 29°