
Comprar carne, leite, feijão e arroz. Mas é muito pouco isso e, se aqui em casa, tivéssemos que viver com apenas um salário mínimo, certamente passaríamos fome. Esta é a resposta de Maria Cristina dos Santos, moradora do bairro Aviso, ao comentar sobre o novo valor do salário mínimo: R$ 871 a partir de 1º de janeiro de 2016.
A trabalhadora aceitou detalhar como a família composta por ela, dois filhos e duas filhas, se vira para passar o mês. Todos na casa são adultos e trabalham. Ela e uma das filhas recebem um salário mínimo por mês, já a outra filha e os dois filhos ganham “um pouquinho mais”, mas esse “pouquinho” ajuda, e muito: “Minha outra filha ganha um mil reais e os dois filhos ganham mil e duzentos reais. No fim do mês juntamos tudo para as despesas fixas (aluguel, as contas de água e energia e comida, gás e comida) e quase não dá para comprar roupas, sapatos e outras coisas. Ainda bem que somos todos saudáveis”, reclama a mulher.
A proposta do governo que foi enviada ao Congresso Nacional previa aumento ainda menor: fixava o novo salário mínimo em R$ 865,50, mas os parlamentares reajustaram o valor por causa da nova previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, usado para corrigir o valor este ano. O índice deve ser 0,7% maior que o previsto inicialmente. De acordo com o Banco Central, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros que recebem salário mínimo e mais da metade ganha de um a três salários. O salário mínimo impacta em despesas como abono salarial, seguro desemprego e benefícios previdenciários e assistenciais.
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