
No bairro Boa Vista, em um terreno baldio, próximo ao templo da Igreja Nova Aliança, mora um animal que traz uma história de abandono e maus tratos. É a Tina: uma cadela, cujos donos mudaram e deixaram para trás. De acordo com uma internauta, Tina deve ter nove anos de idade e, com base no que os vizinhos relatam, deveria estar com dois anos quando os donos a abandonaram. “Ela permaneceu na mesma rua, certamente por manter a esperança deles voltarem”, diz a voluntária, com lágrimas nos olhos.
Mas isso não aconteceu. Mesmo sozinha, a cadela passou a ter a rua como lar e ganhou o apelido de “Menina de Rua”. Na semana passada, Tina teve a sua sétima ninhada e há um ano passou a contar com a ajuda de duas voluntárias que levam água e comida todos os dias até uma casinha improvisada que ela ganhou para cuidar dos filhotes. Dos oito cachorrinhos, quatro morreram. “No ano passado ela teve sete, mas por conta de maldade humana, um morreu. “A nossa intenção é conseguir doar os filhotes o mais rápido possível”, explica a voluntária.
Mais maldade
A luta de Tina pela vida após o abandono conta, ainda, com um registro de doer, literalmente: ela manca de uma pata devido a um atropelamento. Como não foi socorrida por ninguém, a própria natureza se encarregou de curá-la. “Essa deficiência não a impede de brincar, correr e retribuir o carinho que damos para ela”, disse uma das voluntárias que cuida da Menina de Rua.
Mas o sofrimento não cessa aí: a cadela já foi abusada sexualmente e agora não aceita a aproximação imediata do ser humano. Lene Batista, que tenta conseguir meios para castrar Tina, expõe: “Ela só aceitou a minha aproximação depois de dois meses de insistência e por isso é difícil conseguirmos alguém para dar um lar para ela. Se para os filhotinhos já é difícil, imagine para ela, que deve ter muitos problemas de saúde e já está com quase 10 anos?”, disse. “A Tina não é o único animal que tentamos ajudar. Há um ano eu posto no meu perfil do Facebook sobre ela muitos outros animais de rua que alimentamos todos os dias. Quem quiser nos ajudar, pode entrar em contato através do telefone 99727-6816. Precisamos de ração e, principalmente alguém para castrar os adultos e adotar, seja filhotes ou adultos que têm sentimento e sofrem por conta do abandono”, concluiu a voluntária.
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