
Um levantamento internacional realizado com 2 mil tutores de cães e gatos, além de 250 médicos-veterinários de oito países (incluindo o Brasil), identificou que 48,6% dos tutores já ofereceram alimentos humanos aos seus pets. Entre os itens mais comuns estão preparações cozidas (50,62%), vegetais (40,95%) e carne crua (35,6%).
Embora seja frequentemente associada a demonstrações de afeto, a prática ainda é cercada por percepções equivocadas. Segundo a pesquisa, 39,51% dos tutores acreditam que esse tipo de alimento não traz prejuízos à saúde dos animais, enquanto 60,15% recorrem a alimentos quando percebem os pets tristes, entediados ou sozinhos, evidenciando o componente emocional envolvido na alimentação.
De acordo com especialistas, esses comportamentos podem favorecer o consumo calórico excessivo e contribuir para o desenvolvimento da obesidade, uma condição que impacta diretamente a saúde e o bem-estar dos animais. Vejamos:
No fim de um plantão exaustivo, uma husky siberiano de nove meses chega ao hospital veterinário em estado crítico após uma sequência de convulsões. A canina, chamada Loba, mal conseguia reagir aos procedimentos, enquanto o tutor demonstrava pressa para encerrar o caso. É a partir dessa cena de que o médico veterinário Victor Soares inicia a narrativa de Não era passeio, era consulta, livro publicado pela Editora Rua do Sabão, que transforma experiências reais da profissão em reflexões sobre vínculo, negligência e responsabilidade afetiva com os animais.
Ao unir memória autobiográfica, bastidores hospitalares e análise social, o autor apresenta a relação entre humanos e animais sob o ponto de vista de quem convive diariamente com emergências, eutanásias e decisões difíceis.
Enquanto o narrador enfrenta o esgotamento emocional causado pela profissão, a protagonista de quatro patas reage aos traumas acumulados por uma criação negligente. Por meio de tropes literárias como found family, segunda chance e conexão entre humano e animal nos tempos atuais, Victor Soares descreve a recuperação de Loba após sua família desistir dela, entrelaçando à narrativa ensaios, relatos e histórias de outros pacientes que foram marcantes na sua carreira.
Situações comuns na rotina veterinária, que raramente aparecem fora do consultório, também são discutidas na obra, entre elas o peso das decisões clínicas, a pressão emocional sobre os profissionais e a chamada “fadiga por compaixão”, condição causada pelo contato constante com sofrimento e perdas. O escritor ainda traz para o debate assuntos muito importantes para a criação de cães e gatos, como obesidade animal, luto, compreensão da natureza animal e evidencia a importância do cuidado e do amor aos bichos de estimação.
Em Não era passeio, era consulta, o autor mostra como o cuidado com os animais vai muito além do afeto: exige responsabilidade emocional, limites e empatia. Ao acompanhar a trajetória de Loba, o leitor é convidado a refletir sobre temas fundamentais para a criação de cachorros e gatos, como: adoção responsável, finitude, respeito e compreensão da natureza dos bichos, além dos riscos de transformá-los em projeções humanas. Com casos tão impactantes quanto reais, este livro amplia o debate sobre a criação dos companheiros de quatro patas de forma inédita, e reforça como vínculos podem transformar não apenas a vida dos pets, mas também das pessoas ao redor deles. (Por Dielin da Silva).
Ficha técnica:
Título: Não era passeio, era consulta
Subtítulo: Um veterinário no centro da relação humano-animal
Autor: Victor Soares
Editora: Rua do Sabão
ISBN/ASIN:978-65-5245-044-9
Gênero: autoficção
Número de páginas: 150
Preço: R$ 68,90
Onde encontrar: Amazon

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