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Refugiado deixou casa, carro e carreira para salvar os filhos e recomeçou a vida no Espírito Santo

A decisão de deixar a Venezuela, em outubro de 2019, foi motivada pela deterioração das condições de vida.

21/06/2026 às 06h16
Por: Redação
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Refugiado deixou casa, carro e carreira para salvar os filhos e recomeçou a vida no Espírito Santo

Mais do que uma mudança de país, o venezuelano Omar José Medina Matute precisou abandonar uma vida inteira para garantir um futuro aos filhos gêmeos, hoje com 17 anos, e a esposa. Professor e profissional de Tecnologia da Informação durante 23 anos na Universidad Central de Venezuela, ele deixou para trás a casa, o carro, a carreira consolidada e parte da família sem saber se um dia voltaria a vê-los.

 

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Hoje, trabalha na área de TI da Kora Saúde/Rede Meridional, no Espírito Santo, onde reconstruiu sua vida por meio do projeto Inclusão Sem Fronteiras, iniciativa desenvolvida em parceria com o Projeto Ninho para promover a inserção de pessoas refugiadas no mercado de trabalho.

 

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A história de Medina representa a realidade de milhões de pessoas forçadas a fugir de seus países por causa de conflitos, perseguições e graves violações de direitos humanos. O Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca justamente chamar a atenção para essas histórias de coragem e recomeço. Atualmente, mais de 117 milhões de pessoas vivem em situação de deslocamento forçado no mundo, segundo dados mais recentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

 

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A decisão de deixar a Venezuela, em outubro de 2019, foi motivada pela deterioração das condições de vida. "Não foi uma decisão fácil deixar meu país. Eu tinha a segurança de possuir uma casa e um carro. Estávamos deixando nossas famílias sem saber se as veríamos novamente. Só havia incertezas pela frente, mas precisávamos garantir que nossos filhos tivessem um futuro, algo que não poderíamos oferecer permanecendo na Venezuela”, revela.

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Segundo Omar, a falta de alimentos e a violência tornaram a permanência impossível. "Chegamos a passar dois ou três dias em filas de supermercado sem saber se conseguiríamos comprar comida. E, quando conseguíamos, ainda corríamos o risco de sermos assaltados ou mortos para que levassem os alimentos. Quem protestava podia ser preso, perseguido ou até morto. É uma realidade que só entende quem viveu", frisa Medina.

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A família deixou o país discretamente para evitar represálias. "Saímos praticamente fugidos. Não podíamos demonstrar que estávamos deixando a Venezuela, porque havia o risco de perdermos tudo o que tínhamos, como nossa casa e nosso carro”, explica Medina.

 

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Toda a viagem foi feita por terra até Pacaraima, em Roraima, onde foram acolhidos pela estrutura da ONU. Omar conta que a possibilidade de obter documentação, carteira de trabalho e CPF, por meio do programa de interiorização de refugiados, foi decisiva para escolher o Brasil.

 

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"Tínhamos duas opções: Argentina ou Brasil. Escolhemos o Brasil porque a chegada era mais segura e havia o apoio da ONU, que garantia documentação e oportunidades para quem estava recomeçando. Além disso, o Brasil sempre acolheu melhor os venezuelanos do que muitos outros países”, acredita Medina.

 

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Essa oportunidade permitiu que Omar reconstruísse a carreira no Espírito Santo. Desde 2020, o Projeto Ninho atua no acolhimento de refugiados e imigrantes no Estado. A partir dessa parceria, a Kora Saúde implantou o projeto Inclusão Sem Fronteiras.

 

*Projeto Ninho/Inclusão sem fronteiras*

O Projeto Ninho oferece acolhimento aos refugiados e imigrantes que vieram para o Espírito Santo. Pensando na inserção no mercado de trabalho dessa população, a Kora Saúde/Rede Meridional implantou o projeto “Inclusão Sem Fronteiras”, uma iniciativa voltada para contribuir de maneira significativa com a causa social dos refugiados.

 

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Segundo a coordenadora de R&S Corporativo da Kora Saúde, Magda Costa, a empresa Rede Meridional já empregou mais de 55 colaboradores, a maioria refugiados vindos da Venezuela, e outros de países como Cuba e Haiti, os quais atuam principalmente nas áreas administrativas e de apoio, como os cargos de atendimento.  “A questão da diversidade é um grande benefício para a empresa, que passa a ter equipes bilíngues e com culturas diferentes. A maior parte das contratações acontece nos hospitais da Rede Meridional, no ES, mas já implantamos o projeto em todas as unidades da Kora Saúde no país, e chegamos a contratar mais de 55 pessoas refugiadas, vindas também de Guiné-Bissau, Congo, Angola e Colômbia”, revelou.

 

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Com o projeto, a Kora Saúde tornou-se membro do “Fórum Empresas com Refugiados”, uma iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pacto Global da ONU Brasil, que reúne atualmente cerca de 100 empresas brasileiras. Por Flávia Varela.

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