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Esportes A resposta

Professora faz graves denúncias e chama secretário de esportes de Linhares de “mentiroso”

Ela fez uma ampla resposta, e cita o Portal da Transparência e os nomes do Prefeito e do Presidente da Câmara Municipal.

01/12/2021 18h18
Por: Redação
Professora faz graves denúncias e chama secretário de esportes de Linhares de “mentiroso”

A professora de Educação Física que aparece no vídeo enviado para a nossa Redação, em um impasse envolvendo o secretário de Esportes da Prefeitura de Linhares, Fabrício Lopes, se manifestou sobre o fato, manchetado aqui no Eu Vi em Linhares. E nós iremos mostrar a íntegra do que ela nos mandou. Tudo aconteceu nesta terça-feira (30), durante um evento relativo à Pasta, quando, conforme o áudio do vídeo, as palavras da professora foram voltadas para pedidos de apoio aos atletas que representam Linhares em outras localidades. Para tal, eles precisam, além de transporte, estadia e alimentação. Esta cobrança aconteceu quando o secretário tentou mostrar o que a Prefeitura, através da sua Pasta, fez em prol dos competidores.

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Na manchete onde enfocamos o assunto, o secretário diz:  “Ela disse que faz serviço voluntário e nunca teve apoio da Secretaria, mas isso não procede. Já disponibilizei transporte, já paguei diária, recebe função incorporada no salário. Eu estava com documentos em mãos, e eles provam todo apoio dado pela secretaria, que somam mais de 50 direto ao Esporte, Cultura, Turismo e Lazer em 5 meses de gestão”.

Abaixo, a professora se identifica, reforça a falta de apoio, cita sérias acusações de uso de dinheiro público para causa pessoal por parte de um servidor, e chama o titular da Pasta de “mentiroso”. Confira o manifesto da servidora:

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“Meu nome é Kelley Bonicenha. Sou professora de educação física, efetivada na rede municipal de ensino, na Emef José Modeneze, no bairro Canivete. Por muito tempo fui treinadora voluntária de voleibol. Treinava no sol, na chuva, no barro, nas britas, meninos com fome, descalços... E desde sempre conquistando títulos importantes para o nosso município.

Em 2011 o prefeito Guerino Zanon, percebendo nossa dificuldade em treinar os meninos naquelas condições, construiu uma quadra poliesportiva e me convidou para sair da sala de aula e assumir o voleibol municipal. Prontamente assumi, mesmo tendo perdas salariais (estava fora da sala de aula e não mudaria de letra).

Como na Secretaria de Esportes não existe o cargo de professora, Guerino me deu um cargo comissionado para eu receber mais ou menos o valor que eu receberia como professora na escola.

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O secretário está dizendo que o salário do paradesporto está incluso nesse pacote. Só pode estar de brincadeira. Disse que tenho que trabalhar 08 horas diárias e não estou fazendo. Ele nunca nem pisou no meu treino.

Mas vou mandar a foto da folha de ponto emitida pela Secretaria de Esportes, e mesmo assim, se for juntar todas as horas de treino que dei voluntariamente no voleibol (entre treino e competição) tenho certeza que a Prefeitura vai ficar me devendo muito dinheiro.

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E olha que tenho como provar vários dias viajando com atletas, 24h em várias semanas com equipes desde 2005. Mas enfim... Com a mudança de prefeito tivemos outra administração e logo sofri perseguição política me devolvendo pra sala de aula.

Fomos campeões brasileiros em 2013 e 2016 trabalhando mais uma vez como voluntária, pois eu já estava na escola. Em 2017, após conversa com o prefeito Guerino Zanon, pedi pra voltar com o projeto de vôlei (pois como estou engajada em várias competições e sempre passando de fase representado o Município e Estado, precisava estar fora da sala de aula para não atrapalhar o andamento da escola).

Guerino me atendeu e daí entramos em um novo projeto: Campeões de Futuro (esse é o meu ganha pão pela Prefeitura até hoje, e não o paradesporto), projeto que começou em 2017 no bairro Interlagos, e que recebi o atleta Lucas Marcelino, atleta com deficiência física e que corri atrás para melhor atendê-lo também com o paradesporto.

Vou resumir a história, mas preciso dizer que conquistamos medalha no primeiro brasileiro em SP e ali surgia o voluntariado no paradesporto. Trabalhei paralelamente com o Lucas. Ele frequentava o projeto Campeões de Futuro em um horário, e depois íamos treinar voluntariamente o atletismo paralimpico com ele. Foi o primeiro atleta paralimpico escolar de Linhares.

Em 2018 já tínhamos 7, e trouxemos o ouro pra Linhares; em 2019 já estava com mais de 15 atletas, e o atual presidente da câmara, Roque Chile, vendo que eu estava fazendo o trabalho voluntário com o paradesporto e gastando dinheiro do bolso para executá-lo, me convidou pra levar o projeto pra Secretaria de Esportes onde ele me daria o carro para ir até esses atletas treiná-los.

Aceitei. Tinha atletismo, vôlei sentado, e bocha... todo o material era meu particular. A secretaria entraria apenas com o transporte. Eu, o atleta Lucas e Breno íamos nas escolas treinar os meninos mais novos.

Até que certo dia um funcionário da Secretaria de Esportes resolveu brigar, discutir com uns atletas menores de idade e com deficiência no grupo dos pais. Foi o fim da parceria. Falei para o secretário de esportes da época que aguentaria até o último compromisso do ano e que depois não ficaria mais junto com esse funcionário, pois os pais queriam ir até a Prefeitura e Secretaria fazer um reboliço. Infelizmente tentei conversar, era  melhor ter deixado os pais resolverem.

2020 não tivemos competição, e em 2021, quando mudou o Secretário de Esportes, fui até o mesmo explicando todo o ocorrido, o mesmo se mostrou parceiro e disse que me apoiaria. Me deu carro pra ir na escolas verificar se tinha mais atletas com deficiência... Expliquei que não teria problema dar o nome da secretaria, desde que me dessem o básico (carro pra treinar, material e uniforme; que eu não estava pedindo pra receber, mas sim pra ser apoiada). Enfim...tudo dando certo!

Me deu carro e diária pra participar de reunião em vitória, me ouvia... O projeto Campeões de Futuro (o qual sou remunerada) continuava a todo vapor, com vários meninos com chance de título estadual, mesmo eu utilizando meu material pra cobrir tanto o paradesporto quanto o projeto da prefeitura campeões de futuro.

Até que um belo dia Fabricio me mandou mensagem pedindo pra responder o e-mail do funcionário que em 2019 brigou com os nossos atletas com deficiência. Eu respondi ao secretário dizendo que não ia passar nada pro cara em questão, e que meu projeto voluntário CTKB  não iria voltar pra secretaria se esse cara tivesse envolvido.

Conversei com Fabrício, mas ele queria que eu me juntasse ao bendito funcionário. Nada de acordo e daí começou a perseguição... Tentaram me parar várias vezes, colocaram esse funcionário pra ir nas escolas com ofício assinado pelo secretário dizendo que ele era responsável pelo paradesporto em Linhares.

Tive que fazer uma autorização dos pais, e levar pras escolas pra eles não tocarem nos meus atletas (quase 30). Não tinha mais carro pra ir em reunião em Vitória e muito menos diária, enquanto os funcionários dele tinham tudo isso indo pra mesma reunião que eu.

Até o projeto que sou paga pela Prefeitura começou a sofrer perseguição. Vários campeonatos pela frente em Vitória, e eu tinha que me virar com carro, pois as taxas de inscrição os meninos sempre venderam rifa pra pagar, nunca foi apoio total como publicaram em sites.

Mas agora nem o mínimo eles estavam dando. Então decidi que não ajudaria a Secretaria em mais nada. Recolhi meus materiais particulares do Projeto Campeões de Futuro (onde é meu trabalho remunerado) e fiz vários ofícios pedindo material pra continuarmos. O projeto está parado por falta de material.

No meu último contato com o secretário, ele mandou me entregar 03 bolas pra eu treinar 50 crianças. Eu sou profissional, não sou professora "rola bola". Não vamos bater pelada, temos um nome a zelar. Precisamos fazer o nosso melhor. Temos atleta que chegou na Seleção Brasileira de Vôlei, não merecemos esse descaso.

Voltando ao Paradesporto, conseguimos classificar 18 atletas pra etapa nacional (na seletiva em Vitória, a secretaria me deu o ônibus, mas só me deu pq foi antes dele querer impor a presença do funcionário no projeto. Pq senão nem ônibus daria.)

Com esses atletas classificados pro RJ e pra SP, fui treiná-los com meu carro particular, buscando em casa e levando pras praças, pros pátios das escolas, pro meio da rua... 500 reais de combustível por semana, remédios pra comprar, campanha pra arrecadar tênis...

O projeto CTKB - Centro de Treinamento Kelley Bonicenha, é voluntário, leva meu nome e não é cobrado taxa. Fomos pro RJ com 03 atletas com deficiência intelectual (todos da rede municipal), levei ofício pedindo transporte até o aeroporto de Vitória e tb pedi diária que é direito do funcionário público.

O funcionário senhor Abidalter Pedroti me respondeu que não teria transporte, pois já tinha sido agendado para um atleta e seu treinador que iria pro mesmo lugar que a gente. Sou apaixonada por esse atleta em questão, pela família dele e pelo treinador. Tem que dar transporte pra ele e pra todos.

Tínhamos 03 alunos da rede municipal e com deficiência, e essa foi a resposta que tive.

Falta empatia, falta pelo menos disfarçar a inveja, a raiva, ou sei lá o que... Pedi ajuda de terceiros pra nos levar até o aeroporto. Depois que consegui e que mandei msg pra prefeito, outros secretários, tentaram fazer contato. Só pra dizer que tentaram.

Voltamos do RJ com duas atletas medalha de ouro e  um atleta medalha de bronze. Não saiu em site nenhum. A secretaria de esportes escondeu nossos resultados, fingiu que nada aconteceu.

O secretário foi na prefeitura homenagear atletas campeões estaduais de taekwondo e o bronze do enzo no Jebs. Tem que homenagear mesmo. Todo atleta merece homenagem independente de resultado, de medalha e de modalidade.

Agora fingir que nossos meninos não existem, isso é a maior covardia que fizeram. Meninos que vencem a barreira do preconceito todos os dias, meninos que lutam muitas vezes com sua própria aceitação... E ser desprezado por quem mais deveria apoiá-los nesse momento, é inadmissível.

O secretário falhou e falhou muito. Eles foram campeões no esporte, levaram o nome de Linhares e do Espírito Santo pro topo do cenário nacional. E o que receberam em troca? Desprezo, só desprezo.

E pq ele tanto quer me atacar? Será que foi pq liberou o seu funcionário pra ir pro RJ receber quase 6000 reais em diárias em uma semana?! O funcionário está na lista de voluntários do Jebs, e no Portal da Transparência aparece como acompanhante do atleta aqui de Linhares, onde o próprio treinador do menino disse que ele não faz parte da sua equipe.

E é claro que não faz. Ele usou uma  foto com o atleta e treinador pra disfarçar. Com grana no bolso é fácil postar foto com a bandeira de Linhares agradecendo ao prefeito, ao secretário. É fácil ser voluntário do Jebs quando se tem quase 6000 no bolso.

E daí querem que eu poste algo sobre meu município quando na verdade eu pago pra trabalhar. Olhem no Portal da Transferência... O mesmo funcionário ganhou diárias esse ano pra fazer um curso de arbitragem de bocha no RJ... Dinheiro público sendo usado pra algo pessoal!!! Vai nos servir em que esse curso de arbitragem?! Eu sou árbitra de bocha, fiz o curso com o meu dinheiro. Assim como todos os meus outros 06 cursos de arbitragem.

Hipocrisia atrás de hipocrisia. Por muito tempo me calei, deixei me usarem, mas essa pandemia me fez repensar muita coisa. Nunca mais vão me usar do jeito que usaram.

Enfim chegou a viagem pra SP, fomos em 25 pessoas, 17 atletas pois uma não conseguiu viajar. Tivemos apoio do professor Neemias que pediu a Polícia Militar pra nos levar e nos buscar no aeroporto de Vitória.

Levamos 7 atletas no atletismo e 6 trouxeram medalha. Fechamos com 16 medalhas o atletismo. Nosso vôlei sentado trouxe medalha; nossas duas atletas do tênis de mesa trouxeram medalha. Estou falando de 06 campeões brasileiros, outros vice e outros terceiros lugares que ficaram e ainda estão escondidos pela Secretaria.

Eu não preciso de reconhecimento, mas que culpa tem os meninos?! Todos atletas com deficiência e que estão sendo ignorados pelo secretário. O meu desabafo ontem foi por eles, para aqueles que me entrego. Minha luta sempre vai ser por eles.

Não fizeram nenhuma postagem, e quando a Adefil e CDL foram nos homenagear, vem o senhor secretário de esportes mentir na minha cara? Me desculpem, mas não consegui me segurar. Tive que soltar o que estava engasgando.

Na hora da foto quer aparecer, mas ajudar que é bom, nada. Não compactuo com mentira, quer falar, fala a verdade. Não minta em relação a nada porque tenho provas o suficiente pra afirmar o que estou falando.

Não queria estar passando por isso, era pro município hoje comemorar tantos títulos inéditos, e olha a preocupação do secretário... Quer me atacar a todo custo, com mentiras, usando a imprensa pra tentar fazer com que as pessoas tenham uma imagem distorcida sobre mim.

Mas não tem problema, se tiver que provar na justiça tudo que tô falando, eu provo. Porque ofícios e prints de conversa é o que não falta.

Sonho com o dia em que teremos representantes da nossa Pasta, dignos de sentar naquela cadeira. Que deixem de lado brigas políticas e pensem no bem maior que é e sempre será o esporte.

Obrigada por todo apoio recebido dos pais, dos atletas, dos amigos que sabem a verdadeira história. Não sou candidata, não preciso de ibope. Quero apenas trabalhar em paz. Se não ajuda, não venha tentar me derrubar porque não vai conseguir. O Deus que me guarda é maior do que tudo e todos”.

Nota: Os políticos e as instituições citadas pela professora têm espaço aberto caso queiram se manifestar.

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