
O clima de medo tomou conta dos moradores do Residencial Jocafe 2, bairro Santa Cruz, após o duplo homicídio e a tentativa de homicídio que aconteceu na noite de quarta-feira (11) em uma residência na Rua Antônio Soares. Foram mortos os irmãos Marcelo Cardoso Matos, de 16 anos, e José Fernando Cardoso da Silva, de 19 anos. Outro jovem, de 24 anos, baleado no lado esquerdo do tórax e na cabeça, de acordo com informação obtida no início da manhã deste sábado (14), continua em recuperação no Hospital Rio Doce.
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Na mesma ocasião que os dois irmãos foram mortos e o jovem foi baleado, a tia dos rapazes, uma mulher de 40 anos, foi agredida com coronhadas de revólver pelos assassinos, e também precisou de atendimento hospitalar. “Vou falar a verdade: se fosse eu no lugar dela, desmaiaria ou fingiria desmaio. Nunca pensei ouvir na vida real tantos tiros aqui. Meus amigos ouviram até nos bairros vizinhos”, conta um morador da rua próxima ao local da violência.
“O clima aqui é de medo”, afirma uma adolescente. “Dá medo de ir à igreja, e encontrar com alguém armado olhando na cara da gente na rua. Eles ficam ameaçando apenas com o olhar e ainda viram e abaixam a cabeça para a cintura, fazendo questão de deixar claro que estão armados”, explicou.
Touca ninja - Ninguém se atreve citar nomes, apontar motivos, e tão pouco se sabe o paradeiro dos indivíduos que chegaram fortemente armados, mandaram quem estivesse perto sair, e começaram a atirar. “Chegaram de carro branco, eu acho que era um Gol”, contou um morador.
E tem outros detalhes passados sobre os atiradores quando o Site Eu Vi em Linhares buscou por mais informações sobre a atual situação na comunidade: “Todos usavam touca ninja. Quando chegaram havia duas pessoas do lado de fora da casa, uma menina e um menino bem jovens. Eles mandaram eles saírem dali e entraram já pegando quem estava lá dentro (da casa)”, conta uma testemunha.
E continuou: “Eles estavam vestidos com roupas escuras, quatro entraram e um ficou na direção do carro. Depois o que se ouviu foi muita gritaria, e eu acho que toda a ação durou uns cinco minutos”, lembrou.
A testemunha ficou um pouco em silêncio antes de falar o que viu cerca de uma hora e meia depois do fato: “Cerca de uma hora e meia depois, chegaram quatro mulheres em um carro com placa de Jaguaré, e uma delas, a mãe deles (das vítimas fatais) parecia estar fora de si, de tanto desespero. Que cena triste”, relatou.
Mas esses meninos (as vítimas) não estavam aqui só há quatro dias não. Eles chegaram há umas duas semanas antes de morrerem assim. A mim não cabe julgar, até porque a polícia já deve saber o que estava acontecendo aqui desde o dia que eles chegaram”, completou o leitor.
Até o momento, a autoria é desconhecida e as investigações continuam. O jovem baleado se recupera no hospital. Denúncias podem ser feitas no 181 e a pessoa não precisa se identificar. As que chegam a nossa Redação são encaminhadas ao setor competente.
Atualizada às 11h04- A dona da casa entrou em contato com a nossa Redação e disse que não conhece nenhuma das vítimas, e que apenas atendeu o pedido de uma conhecida, pensando que estivesse fazendo o bem, dando abrigo aos rapazes. Também explicou que ainda se recupera das coronhadas de revólver e do acidente que sofreu antes do fato e que comprometeu as suas vistas.
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