
Uma Kombi com placas do Rio de Janeiro, equipada com sonorização, “puxa” um grupo de deficientes com suas cadeiras de rodas pelos bairros de Linhares. A música fúnebre e as palavras “gritadas” comovem moradores, e a maioria acaba comprando o que os deficientes oferecem. Os consumidores podem optar por diversos tipos de doces oferecidos, e todos os componentes da equipe de vendedores não são de Linhares.
Durante o fim de semana, o grupo estava no balneário de Pontal do Ipiranga e, diante de questionamentos relativos à participação e apoio por parte da Adefil, Associação dos Deficientes de Linhares, José Geraldo Giovani esclarece que a entidade “não tem nada a ver” com a iniciativa.
O presidente da ADEFIL disse, inclusive, que a Associação não tem nenhuma ligação com o movimento e também não apóia a iniciativa daqueles que batem de porta em porta dos moradores vendendo balas.
O presidente da ADEFIL, José Geraldo Giovani, disse que na gravação que o grupo usa no carro propaganda-volante, não existe identificação da entidade a qual representam. “Tudo o que se percebe é a gravação que tem um fundo musical fúnebre e que pede ao povo que ajude a Associação dos Deficientes. O problema está aí, não existe identificação quando pedem ao povo que compre as balas dos deficientes”, explica José Geraldo.
Sem a identificação citada por José Geraldo, muitas pessoas desinformadas acabam imaginando que a ação tem envolvimento e participação da ADEFIL. “Gostaríamos de esclarecer que a ADEFIL não defende essa prática de expor a pessoa com deficiência à uma situação vexatória, não que seja indigno vender balas, o problema é que a cultura do povo acaba considerando a imagem de que o deficiente é uma pessoa inválida e que, vendendo balas, são coitadinhos”, acrescenta o presidente da Adefil.
Caso de polícia
De acordo com José Geraldo Giovani, o grupo de cariocas do “ato fúnebre” é composto por pessoas que fazem parte de uma organização que exploram as pessoas. “Na maioria das vezes o dinheiro é para eles mesmos. Já interceptamos diversas vezes este veículo na cidade juntamente com a polícia militar, e depois de encaminhados ao DPJ, o delegado solicita que eles não voltem mais a Linhares, mas eles dão um tempo e depois voltam com a mesma prática. Imagine que dessa vez eles foram até Pontal do Ipiranga”, relata José Geraldo.
Dignidade
A Associação dos Deficientes de Linhares defende a inclusão do deficiente através do trabalho a fim de promover sua inclusão na sociedade, sua participação em cursos de qualificação profissional para galgar algo melhor na vida, na participação de campanhas a fim de informar a sociedade quanto aos seus direitos, sua inclusão na rede regular de ensino a fim de terem uma formação que lhe garanta um futuro digno. “Se a população observar, em Linhares, as pessoas com deficiência não ficam pelos sinais e esquinas vendendo balas ou pedindo esmolas. Elas buscam sua inclusão de forma digna, através do trabalho. Essa prática de sair por aí como coitadinhos não é tolerada pela Adefil, não vamos permitir uma iniciativa que leve as pessoas a nos ver como miseráveis”, conclui o presidente da Adefil.
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