
A história verídica nos transporta para 1977 e nos faz participar como se estivéssemos presenciando cada cena relatada pelo delegado Fabrício Lucinho Lima. Pode conferir:
“Era o ano de 1977, ano em que o Corinthians sagrou-se Campeão Paulista - depois de passar 23 anos sem ganhar absolutamente nada -, em uma final contra o time da Ponte Preta de Campinas. Eu ainda morava na região rural de Iúna (ES), então com seis anos de idade e já apaixonado pelo Botafogo, "o glorioso da estrela solitária". Faltando poucos meses para o natal, enchi o pacová de minha saudosa mãe e finalmente consegui a promessa de que iria ganhar uma camisa e um calção, do meu time do coração.
Passados dois meses, seguimos de charrete com destino a Ibatiba, distrito de Iúna na época, para cumprir com a tal promessa que eu tanto cobrava. Seis (06) quilômetros de estrada de chão puxados por um cavalo velho, branco e preguiçoso, chamado "Ubirajara". Nas subidas tínhamos que apear, para não forçar nosso "intrépido corcel"; e eu, ansioso com a possibilidade de finalmente, ter um uniforme completo com o emblemático e insofismável número “7” nas costas, a camisa do Garrincha.
Em Ibatiba haviam pouquíssimas lojas e armazéns, porém, com certeza a única que poderia ter a venda o verdadeiro e desejado manto sagrado, era a Loja Antônio Davi, no Centro da Cidade. De casa até a loja, o percurso foi longo e silencioso, fui imaginando e sonhando com o uniforme e também, como eu poderia melhorar meu desempenho e desenvoltura nos campos de chão batido que brincávamos.
O uniforme, com certeza, era mágico: finalmente deixaria de ser o maior pernas-de-pau do grupo escolar... Nunca mais seria mandado sumariamente para o gol, ou ficaria de fora das peladas, sem direito de defesa...
Entrando na loja que, aos olhos de uma criança, era enorme, gigante, a maior loja do mundo... Então, pedimos ao vendedor o bendito presente de natal. Eis que, para minha decepção, ele nos informa que não haviam uniformes do Botafogo a venda, somente do Flamengo e do Vasco. Desapontamento total... Hoje eu até entendo. Puderas: além de mim, quem poderia querer comprar um uniforme do Botafogo em Ibatiba?
Minha mãe, que era flamenguista gente boa, coisa rara nos dias de hoje, vira para mim e diz: - “Meu filho, leva a camisa do Vasco! É tudo preto e branco mesmo!” Pronto, aceitei! Daí meu primeiro uniforme de futebol foi o do “gigante da colina”, apesar de ser um Botafoguense apaixonado.
Demorei mais uns três anos para, finalmente, ter uma camisa de meu time. Naquela época, nada se desperdiçava: para descartar uma camisa, ela deveria estar tão puída que nem para pano de tirar poeira servia, ou que então, não cobrisse mais o umbigo, para então, transferir a posse e a propriedade para o irmão mais novo; que acabou sendo Vascaíno mesmo.
E eu, claro, continuei sendo uma verdadeira negação nas habilidades futebolísticas até hoje. Nada deu jeito!”.
Fabrício Lucindo Lima é delegado da Polícia Civil
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; . NÃO TEM OUTRA COISA PARA FALAR NÃO !!!
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