
As cores da Polícia Civil no Espírito Santo sempre foram o branco e o preto, a princípio pensei que fosse uma homenagem ao melhor time do mundo, “o glorioso da estrela solitária”, tinha quase certeza que um botafoguense apaixonado, daqueles que enchem os estádios em dias de jogos, teria sugerido a brilhante ideia de adotar essas cores.
Pesquisando um pouco, encontramos um mascote que poderia muito bem ser o símbolo de nossa polícia e o motivo principal da adoção da cor branca em nossa bandeira, trata-se do Arminho, um animal que vive nas florestas da Ásia e possui a mais bela e valiosa pele do mundo. Na Idade Média era considerado um símbolo de pureza da realeza pelos monarcas.
Como o Arminho, o Policial Civil é quase um predador solitário, a procura de suas “presas”, prefere caçar durante as madrugadas, quando todos estão dormindo, movendo-se rapidamente e surpreendendo os alvos. As suas presas preferenciais são bandidos de toda ordem, porém, os homicidas, estupradores, traficantes e ladrões, são os preferidos. São excelentes na camuflagem e se misturam na natureza e com a população. Assim como o Arminho, os Policiais Civis têm a habilidade de perseguir e surpreende-los dentro de suas tocas.
O curioso é que, os caçadores aprenderam como apanhar o bichinho branco, eles perceberam que o animal valoriza infinitamente sua pelagem sempre branca e limpa. Então, desenvolveram uma tática bem interessante... Quando o bichinho saia para caçar ou dar uma voltinha, os caçadores aproveitavam e sujavam de lama a entrada das tocas dos Arminhos. Depois, soltavam em seu encalço os cães de caça, tendo o cuidado de não bloquear as rotas de fuga para as tocas.
O desavisado Arminho farejando os cães e pressentindo o perigo, vê o caminho livre a frente e corre velozmente em direção a sua toca, buscando o refúgio que lhe dará a salvação de sua vida. Porém, ao chegar em sua casa, deparava-se com a enorme sujeira posta bem a sua frente, na entrada de seu refúgio; vendo-se impedido de entrar no local sem se sujar, para estremecido... Simplesmente não consegue imaginar ver manchada de sujeira a sua alva e reluzente pele, manter a pelagem limpa e imaculada é seu instinto mais forte.
Então, o Arminho, nesta exata hora, vendo-se perdido, sem saída, trêmulo, fecha os olhos e se prepara para o pior... Acuado, luta até a morte! O pequenino prefere morrer nas garras dos cães, a sujar o seu precioso manto branco.
Honremos o nosso Criador... Cuidemos das nossas vestes... Façamos como o nosso amigo Arminho, "Antes a morte que a desonra de sujar a minha pele" - de sujar a vida com o pecado e desonrar o nome, a família e o nosso Deus.
*Fabrício Lucindo Lima é delegado da Polícia Civil.
Mín. 19° Máx. 28°