
Em um lugar muito, muito distante, muito longe de nosso Estado, a Polícia Civil local recebe o comunicado de que haviam encontrado o corpo de um empresário, dentro do porta malas de seu veículo, em uma das entradas da cidade. Imediatamente é acionada e Perícia Criminal para se dirigirem ao local do crime, objetivando levantar os primeiros vestígios; Como de praxe, ao chegarem ao local, os peritos percebem que o local estava todo alterado e revirado por curiosos.
Iniciados os trabalhos investigativos, os policiais civis coletam depoimentos de parentes, amigos, pessoas que conheciam a vítima, das que encontraram o corpo e finalmente as últimas que tiveram contato com o empresário; Localizaram um aparelho celular e verificaram, contato por contato, ligação por ligação, mensagem por mensagem, em busca de pistas, e por ai foi...
As apurações revelavam que a vítima tinha o hábito de emprestar dinheiro a juros, daí surgiram várias hipóteses de autoria, motivações, suspeitos e teorias de conspiração...Porém depois de algum tempo, uma história tomou fôlego e se encaixava perfeitamente com os fatos. Três suspeitos, que foram ouvidos na delegacia, contudo, negaram veementemente a autoria ou qualquer participação no crime. Pronto, os Policiais tinham elucidado o crime, mas não havia provas suficientes. Você sabe o que é ter a certeza da autoria e a motivação de um crime, e não ter como provar?
Bom, como às vezes a sorte ajuda, depois de algumas semanas, um dos suspeitos acabou sendo preso pela prática de crime de roubo, interrogado novamente por horas, pelos policiais civis, continuou negando tudo, disse até que nem conhecia a vítima. Pois bem, no final da tarde, como o preso não tinha identidade, chamaram a Perícia Papiloscópica, para realização da identificação criminal do sujeito; Para quem não sabe o que seria isso, é o antigo “tocar piano”, coleta de digitais.
Já no cair da noite, o delegado resolve conversar com elemento mais uma vez, última tentativa, sentado frente a frente, o suspeito tranquilo e de fala calma. Começando a conversa surge uma ideia maluca, um “blefe” como diriam os jogadores de cartas; O delegado apanha o formulário com a coleta das digitais do sujeito e diz: - camarada, a casa caiu, eu sei que você não estava sozinho no crime, conheço toda a história, nós nem precisamos mais de sua confissão, suas digitais bateram com as digitais do carro da vítima! Somente as suas digitais, as dos outros não! Só você vai pagar pelo crime, e SO-ZI-NHO!
Neste momento, o sujeito que já estava trêmulo e nervoso, suando frio, diz: - EU SOZINHO NÃO, DOUTOR! CONTO TUDO! “E abriu o verbo”, confessou e entregou os comparsas, todos presos, caso resolvido... Ha sim, não havia digitais coletadas no veículo da vítima...
Fabrício Lucindo é delegado da Polícia Civil
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