
Distraidamente, ouvindo um discurso de uma autoridade municipal, em companhia de alguns colegas da segurança pública; eis que, surge a informação de que haviam reduzido em 350% (trezentos e cinquenta por cento) a criminalidade. Depois do primeiro susto, a imaginação se desprende do corpo e começa a viajar, pairando sobre o ambiente. Seria possível uma criminalidade negativa, com números abaixo de 0 (zero)? Gente, claro que não!
Depois de anos e anos lidando com estatísticas criminais, principalmente estatísticas de homicídios, nos deparamos com essa informação equivocada; então, passamos a uma avaliação um pouco mais profunda e curiosa sobre o tema; percebemos que, os números estatísticos, quase sempre são cruéis com nosso trabalho, vejamos a seguir:
Caso em um município hipotético, no ano de 2015 tenha registros de 100 (cem) homicídios e no ano seguinte 50 (cinquenta), haverá uma redução de 50% ( cinquenta por cento); Mas se ocorrer o inverso? Se subir de 50 (cinquenta) para 100 (cem)? Então haverá um aumento de 100%.
Imaginemos o nosso querido município de Rio Bananal, caso ocorresse 01 (um) homicídio em um ano e 4 (quatro) no ano seguinte, haverá um aumento de 300% (trezentos por cento); porém em Serra, se são registrados 300 (trezentos) homicídios em um ano, e no seguinte 303 (trezentos e três) haverá um aumento de apenas 1% (um por cento). Manchete de primeira página nos jornais: “Aumento de 300% no número de homicídios em Rio Bananal; enquanto isso, na Serra, estabilizado, aumento de apenas 1%!”
Por mais incrível que possa parecer, não tem nada de errado nos números. E digo mais, imagine se em nossa Sooretama, tivessem 10 (dez) homicídios registrados em um ano, por milagre, apenas 01 (um) no ano seguinte, teríamos uma redução de 90% (noventa por cento); Ao contrario sensu, se passássemos de 01(um) para 10 (dez) homicídios, pasmem..., teríamos um aumento de 900% (novecentos por cento).
E finalizando com Linhares, caso houvesse um pacto pela não violência, se a Polícia pudesse evitar todos os crimes, se a comunidade se tornasse pacífica, como por metamorfose divina, e se não houvesse nenhum caso de homicídio em um ano, teríamos uma redução máxima de 100% (cem por cento). Em contrapartida, se fosse para aumentar, “o céu seria o limite”, milhares, milhões, bilhões e trilhões de por centos... Vou parar por aqui, já estou sentindo o “peso dos números” sobre as costas.
Fabrício Lucindo é delegado da Polícia Civil.
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