
Os “santinhos” de quando Francisco Tarcísio Silva iniciou a vida pública, ainda eram em preto e branco. A tecnologia distante não permitia mídia virtual e o que valia mesmo era o chamado “corpo a corpo”. O que não mudou, conforme o próprio político afirma foram hábitos como, acordar cedo e dormir tarde para levar a proposta de campanha até o eleitor.
Aprovado nas urnas pela oitava vez consecutiva, algo que no Estado do Espírito Santo só aconteceu com Tarcísio, e aqui, em Linhares, vai render até livro. E estes e outros assuntos são alvos das respostas na entrevista concedida ao Site Eu Vi em Linhares.
No dia seguinte à eleição, Tarcísio, que também passou a ser um corredor de primeira, recomeçou a rotina, ao lado de Franciluvio, o Lulu, o irmão e fiel companheiro nessas décadas de legislatura. “Acordei às 6 horas, corri, levei meu filho à escola e fui atender meus eleitores no escritório para a noite estar na sessão da Câmara. Esta será a minha última legislatura”, disse ele.
Mas o que Tarcísio pretende fazer após este mandato? Nesse tempo todo, será que ele trocou de número de telefone quantas vezes? O que ele respondeu sobre a eleição da presidência da Câmara que acontecerá dia 1º de janeiro de 2017? E o relacionamento com o prefeito eleito após não disputar a eleição no grupo dele? Confira abaixo:
Quantos anos o senhor tinha quando assumiu pela primeira vez o cargo de vereador?
Hoje tenho 52 anos e desde meus 23 anos sou vereador em Linhares.
O eleitor pergunta, normalmente, o que o senhor fez durante esses 28 anos como vereador?
Levando em consideração que tenho formação superior em Direito, muito tem facilitado a elaboração de projetos de lei que melhoram a qualidade de vida do cidadão. Nesses sete mandatos que estão sendo concluídos agora, no fim de 2016, sou autor de aproximadamente sessenta leis municipais e podemos destacar a lei que autoriza o município conceder uniforme gratuito a todos os alunos matriculados na rede municipal; temos a lei que ampliou o período de licença maternidade de quatro parta seis meses para as servidoras públicas municipais; temos uma lei sancionada recentemente, e que autoriza o município a formar um núcleo de profissionais da psicologia e serviço social em atendimento às famílias e alunos matriculados na rede municipal; outra lei recente é que a que autoriza o município a recolher todos os veículos abandonados nas vias públicas de Linhares, e nossa esperança é que a próxima gestão possa, dentro das condições financeiras do município, que não são boas no momento, encontrar meios para executar a lei aprovada.
Vereador, são quase 30 anos de mandato. Como é o elo entre o senhor e a população?
Desde quando ganhamos a primeira eleição em 1988, mantemos nosso escritório para atender as demandas da coletividade, aberto dois dias por semana, inclusive, atendo pessoalmente nestes dois dias. Além disso, dentro das minhas possibilidades, estou presente nas comunidades, e a prova disso é que nesta eleição de 2016, mantive uma boa votação no Interlagos, mas, da Ponte do Rio Pequeno a São Rafael, recebi aproximadamente 180 votos. Da mesma forma, na Região 5 que inclui os bairros Linhares V, Planalto, Santa Cruz, Nova Esperança e Movelar, obtive aproximadamente 150 votos.
Mas quais são essas demandas, vereador?
No campo político, são todas que vêm de acordo com a necessidade da coletividade em suas comunidades, ou seja: melhoria na Educação com ampliação de escolas, Saúde, melhoria na iluminação pública, pavimentação de rua, redutor de velocidade, entre muitas outras. É essa a função do vereador: além de fiscalizar o Executivo, ouvir as demandas da sociedade, protocolar na Câmara para que o prefeito tome ciência destas necessidades e é isso que fazemos; também é muito comum as famílias nos procurarem para orientação no campo jurídico.
Nesse tempo todo, o senhor trocou o número de telefone quantas vezes?
O que posso afirmar é que a minha linha telefônica é o prefixo antigo (27) 99984-****, e que está cadastrada no meu nome há aproximadamente 15 anos. Esse mesmo número não é segredo para ninguém, pois desde que adquiri a linha está fixado na placa do meu escritório.
Sempre morou no Interlagos?
Sempre. Desde julho de 1979.
É normal o político trocar de partidos. O senhor trocou quantas vezes?
Iniciei a minha vida pública em 1988 no PDT, depois fui para o extinto PFL e há aproximadamente 15 anos sou filiado ao PSB.
Nessas legislaturas, deve ter passado por momentos que marcaram muito. Teria como citar alguns exemplos?
Tenho anotações de grandes fatos ocorridos na política linharense nesses anos, prefiro não mencionar aqui, pois estou em fase adiantada de coleta de dados para publicar tudo em um livro no meu oitavo e último mandato de vereador.
Mas o senhor vai sair da política?
Não. Eu afirmei que não virei mais candidato a vereador, tendo em vista que no Estado não tenho conhecimento que tenha vereador com mais de oito mandatos consecutivo. Mas, não sairei da política.
Se não vai sair, e além de lançar o livro, quais os planos políticos, então?
Buscarei espaço dentro do PSB para o processo político de 2018, lembrando que uma das minhas principais metas é contribuir com o partido e apoiar a candidatura de Renato Casagrande ao cargo que ele decidir se candidatar.
O senhor disputou a eleição fora do grupo do prefeito eleito Guerino Zanon, como pretende desempenhar seu mandato sem o prefeito como aliado?
No decorrer desses mandatos que exerci, tenho buscado não radicalizar contra quem quer que esteja como Chefe do Executivo Municipal. Neste mandato que assumo em 1º de janeiro de 2017, tenho uma particularidade: não recebi contribuição financeira de nenhum candidato a prefeito de Linhares e nessa próxima legislatura tem um fato que quero destacar: eu não fiz compromisso em todas as minhas visitas e reuniões familiares de dar cargo público na prefeitura. Por isso exercerei um mandato de independência no Legislativo, mas buscando harmonia entre os poderes constituídos. Como cidadão e vereador, desejo ao prefeito eleito sorte para conduzir a gestão do município a partir de janeiro de 2017.
Já foi presidente da Câmara por duas vezes, tem interesse de disputar em janeiro?
Muito me honra estar naquela Casa há 28 anos e permanecer por mais quatro. Da mesma forma, por ter sido presidente por duas Legislaturas e por várias oportunidades presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. A eleição para presidente é uma forma democrática realizada entre os 13 vereadores eleitos. A princípio, não tenho interesse de concorrer à presidência, mas participarei ativamente de todo o processo da eleição da Mesa Diretora e das Comissões.
O que achou dessas eleições de 2016?
Embora para muitos a mudança na Legislação Eleitoral parece ter sido pequena, não foi. A Legislação Eleitoral atual fez com que os políticos e a população mudassem o conceito. A cidade ficou mais limpa, o tempo de campanha encurtou, o controle da fiscalização ficou maior e a campanha foi muito mais barata.
Ficou surpreso com os resultados?
Sim. Não citarei nomes, mas nomes que estavam considerados eleitos não conseguiram êxito. Já outros que sequer eram cogitados como prováveis eleitos, conseguiram comemorar a vitória e parabenizo aos eleitos, pois foram escolhidos pelo povo. Sorte e sucesso nesta nossa caminhada.
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