
O número de passageiros em ônibus urbanos no Brasil tem apresentado queda há 4 anos consecutivos. Segundo última pesquisa divulgada pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), houve uma queda de 2,5% de passageiros entre 2014 e 2015. Em 2016, em algumas regiões do Espírito Santo, os números são ainda mais assustadores, registrando queda de mais de 11%. Situação que vem preocupando as empresas, sindicados e associações do setor.
O município de Vitória, capital do estado, apresenta uma queda de 11,05% no período de janeiro a julho de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, de acordo com Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Espírito Santo – SETPES, que afirma ainda que um dos principais motivos para queda do número de passageiros é crise que o país enfrenta.
"No caso do sistema municipal de Vitória, além da influência do desemprego e da crise econômica, sofremos também interferência da sobreposição de linhas do sistema urbano metropolitano – Transcol, que possui tarifa similar, uma vez que recebe subsídio na tarifa, do Governo do Estado, repasse este superior a 100 milhões de reais por ano, e opera nas principais vias dos do município com frequência maior", destacou o secretário Geral SETPES, Jaime Carlos De Angeli.
Jaime ainda completou. "Como não há receita para cobrir os custos, hoje o sistema opera com déficit, não possibilitando renovação de frota e investimentos em inovação e tecnologia. O cenário atual pode levar ao colapso do sistema de transportes", frisou.
Em Linhares, interior do estado, a realidade não é diferente. No comparativo de passageiros transportados nos meses de janeiro a julho dos anos de 2015 e 2016, a queda foi de 10,81%, representando 678.409 passageiros a menos.
Executivo de Linhares comenta sobre o assunto
O diretor administrativo da empresa Joana Darc, que atua no município, Antônio Luiz Comério, concorda que a queda deve-se à grave crise política e econômica que afeta a nação. "O índice de desemprego está elevado e, consequentemente, ocorreu a redução de trabalhadores nos ônibus e assim a queda da aquisição do vale – transporte. Estamos sentindo a queda das receitas na maneira muito forte, enquanto os custos operacionais continuam em alta constante. Somente com a mudança da rota dos ônibus no trevo do Colégio Estadual/antigo Posto Piana, houve um acréscimo de seis mil quilômetros rodados a mais pelos ônibus da empresa por mês. É necessário que sejam adotadas medidas para equilibrar as despesas e aumentar as receitas e assim manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão do serviço", ressaltou Comério.
A Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano - NTU ressalta ainda que a redução no número de passageiros cria dificuldades para governos municipais e estaduais, que são responsáveis pela gestão do transporte, e também para as empresas. Nos últimos 20 anos, o órgão avalia que os ônibus perderam espaço para meios privados como carros e motos.
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