
Quero muito continuar meus estudos, aliás, eu preciso estudar para conseguir algo melhor nessa vida, só que acabou o Eja aqui no Pontal e, para mim, fica difícil seguir de ônibus até Linhares.
A declaração é da cozinheira Claudia Alves Lapa, de 45 anos. Até 2014 ela frequentava aulas no Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), na escola Manoel Martins, no balneário de Pontal do Ipiranga, mas após “idas e vindas”, quem quis continuar os estudos, precisou se deslocar até a sede do município. “Somos mais de 100 alunos, mas somente cerca de 10 a 15 continuaram, pois chegar em casa a meia-noite e no outro dia acordar às 5 horas para trabalhar, não tem como”, declara a cozinheira.
Mas o fim do Eja não aconteceu apenas na comunidade de Pontal do Ipiranga: adultos que tanto querem concluir o ensino fundamental e o médio e que contavam com o programa em Regência e Povoação, agora também têm que se deslocar a sede do município e, assim como no Pontal, a evasão foi de quase 100%.
Guaxe
Se na região de Pontal do Ipiranga, Regência e Povoação o Eja foi suspenso, na comunidade do Guaxe ele sequer chegou a acontecer e a comunidade reivindica há dois anos. “Desde 2013 somos procurados por 104 pessoas que querem estudar, mas hoje esse número deve ultrapassar 200 pessoas. Precisamos muito do Eja aqui no Guaxe, pois seguir para uma escola na sede de Linhares é totalmente inviável para quem começa uma jornada de trabalho com o dia ainda escuro”, disse Camila Augusta Nossa Vidigal, Diretora da Escola Orozimbo Leite.
Solicitação na Câmara Municipal
Informamos tanto para Claudia quanto à Camila, sobre uma solicitação feita durante a sessão de segunda-feira (22), na Câmara Municipal de Linhares, quando o vereador Francisco Tarcísio Silva (PSB), solicitou envio de ofícios para o Secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, visando atender as comunidades de Pontal do Ipiranga, Povoação, Farias e Guaxe, por meio do Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). De acordo com Tarcísio, cerca de 420 pessoas entre jovens e adultos eram atendidas nas comunidades de Povoação, Pontal do Ipiranga e Farias.
Claudia disse que abraça a causa e espera que a iniciativa traga de volta a oportunidade de a mesma concluir os estudos. “Eu quero acompanhar isso, vou entrar em contato com o vereador para saber melhor”, disse ela.
Camila, por sua vez, disse que dará a boa notícia aos que a procuram a fim de saber como está a situação sobre o Eja. “Com uma força por parte do vereador, acredito que a comunidade pode, sim, ser beneficiada. É triste ver tanta gente querendo estudar e não ter essa opção na própria comunidade”, disse a diretora escolar.
Saiba mais sobre o Eja
O Programa EJA é uma modalidade da educação básica destinada aos jovens e adultos que não tiveram acesso ou não concluíram os estudos no ensino fundamental e no ensino médio. É importante destacar a concepção ampliada de educação de jovens e adultos no sentido de não se limitar apenas à escolarização, mas também reconhecer a educação como direito humano fundamental para a constituição de jovens e adultos autônomos, críticos e ativos frente à realidade em que vivem.
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