
Sombrinhas de praia, cadeiras e muita paciência. É o que se viu na manhã desta quinta-feira (10), na calçada do Centro Educacional Infantil Municipal (CEIM) Agnelo Guimarães, no bairro Colina. Para se livrar do sol escaldante, algumas pessoas deixavam cadeiras e até bicicletas na fila e "correram" para a sombra proporcionada pelo prédio da Câmara Municipal, que fica na lateral do referido estabelecimento de ensino.
E é aí que “mora” o cúmulo do absurdo: o prédio do Agnelo Guimarães é novinho, muito espaçoso e bonito, mas de acordo com uma mãe, que está na fila desde a tarde do dia anterior para conseguir uma vaga para o filho, pais que não podem ficar na tal fila, estão pagando quem possa e o preço, ainda de acordo com a mulher, custa, no mínimo R$ 500,00 e no máximo R$ 1,2 mil. “Eu só quero saber como ficará isso, pois não tem vaga para todos, aliás, não tem para quase ninguém!”, disse a internauta.
Como funciona a “venda” na fila
A internauta explicou que a “venda” de lugar na fila para se conseguir uma vaga funciona assim: “As pessoas ficam na fila, mesmo sem ter interesse na vaga. Aí, dão um jeito de saber quem tem (interesse) e quem oferecer mais tem direito ao espaço que fica sendo guardado até terminar as vagas. É que tem muita gente rica que quer uma vaga para o filho estudar aqui e vi oferta nesses valores, de 500 a 1200 reais”, detalhou a mãe. “Isso é um absurdo, gente”, concluiu a mulher.
Insistimos para saber se ela “comprou” o espaço e a resposta foi: “Eu ia pagar 500 a uma mulher, mas fiquei com medo de outro oferecer mais e perder a vaga. Por isso resolvemos juntar a família para que sempre tenha alguém no lugar, entende?”. E tem mais: de acordo com a mulher, quem “compra” o espaço na fila, ainda tem que levar lanche para a pessoa.
Nós entramos em contato com a Prefeitura Municipal e a assessoria de imprensa mandou a seguinte nota:
“A Secretaria Municipal de Educação reafirma que há vagas na rede municipal de ensino. O que ocorre é que a procura no CEIM Agnelo Guimarães vai além do público dos bairros do entorno, a quem as vagas do centro de educação se destinam. Por isso, é necessário organização para priorizar a matrícula das crianças que moram nas proximidades. Quem não conseguir matrícula no CEIM Agnelo poderá estudar em outra unidade de ensino perto da região onde mora. A ação segue recomendação do Ministério Público Estadual”.
Sobre as “vendas” de espaço na fila
Sobre as denúncias de cobrança para guardar lugar na fila, a Secretaria Municipal de Educação informa que condena a prática e já acionou tanto Ministério Público quanto Polícia Militar.
Ao todo, são 2.750 novas vagas na rede municipal de ensino, finaliza a nota.
Fotos: Eric Oss
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