
Após percorrer 853 km deixando para trás um rastro de tragédia, destruição, mortes e polêmicas, a lama vindo da barragem da Samarco/Vale em Mariana (MG), chegou a Regência, e a tragédia, não resta dúvida, terá reflexos no processo eleitoral do próximo ano, principalmente nas três cidades cortadas pelo trecho capixaba do rio: Baixo Guandu, Colatina e Linhares.
O que o eleitor observa é que, em meio a tanto sofrimento, muitos ainda tentam se beneficiar politicamente com a situação acusando e apontando o dedo para a empresa que hoje é responsável pelo maior crime ambiental do Brasil.
O único problema, é que esses mesmo que hoje apontam o dedo acusatório, foram os mesmos que em 2014 bateram na porta da empresa atrás de doações financeiras para suas campanhas, pois muitos dos beneficiados, hoje têm a missão de investigar e cobrar da empresa antes amiga.
Entre eles citamos o deputado federal Paulo Foletto (PSB), que faz parte de uma comissão externa da Câmara dos Deputados para investigar a tragédia, e que recebeu doação direta da Vale Manganês. O nome do deputado federal é cotado para a disputa da prefeitura de Colatina em 2016, mas a doação da poluidora pode não cair bem em seu palanque.
Outro beneficiado é o deputado estadual e ex-prefeito de Linhares, Guerino Luiz Zanon, do PMDB, que também aparece na lista de apostas da Vale na eleição passada, fator que pode complicar sua vida política para 2016.
Além desse problema, o deputado precisa se livrar de uma manobra arquitetada na Câmara Municipal de Linhares. Todos lembram que o Legislativo linharense rejeitou as contas de Zanon, o colocando na mira da ficha suja. A doação da mineradora pode por em xeque o falado favoritismo de Zanon.
Mesmo com o veto à doação de empresas para as eleições de 2016, o passado, é claro, será recordado pelos adversários durante a campanha, principalmente porque não se sabe por quanto tempo os efeitos da lama serão sentidos nesses municípios e quais os impactos sociais e ambientais.
O que causa no mínimo duvida é a imparcialidade dos parlamentares em um assunto delicado como esse, levando em consideração a relação dos mesmos com a empresa que figura como a grande responsável pela tragédia.
Outras lideranças também estão cobrando a Samarco, mas neste caso nenhum recebeu um centavo sequer da empresa, o que pelo menos em parte transmite uma sensação de imparcialidade que um caso desses requer.
São eles: em Baixo Guandu, a postura do prefeito Neto Barros (PCdoB) desde o início do processo, foi de crítica. Ele contou com o apoio da população na batalha contra a empresa, tem recebido o apoio da população e se sobressaiu com o eleitorado por causa dessa posição mais dura e corajosa em relação à empresa.
Deputado Dary Pagung (PRP): que tem reduto em Baixo Guandu, também não estaria de olho na prefeitura no próximo ano, pelo menos não estaria se movimentando para isso. Ele está na comissão de Representação da Assembleia para discutir o assunto, não recebeu dinheiro da empresa, mas sua participação no evento não tem conseguido lhe garantir uma visibilidade a ponto de trazer capital político.
O deputado estadual Josias Da Vitória (PDT): que não recebeu dinheiro da Vale e suas subsidiárias, e comanda a Comissão de Representação da Assembleia, tem conseguido trazer respostas sobre a situação de crise envolvendo o rio. Da Vitória não teria pretensões de entrar na disputa pela prefeitura de Colatina no próximo ano.
A deputada Eliana Dadalto (PTC): de Linhares, mesmo reduto de Zanon. Ela é a relatora da comissão e também não recebeu doação da empresa, é outra cotada para disputar as eleições em 2016.
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