
Após passar por todas as cidades com sua devastação ao meio ambiente e interrupção de captação de água para consumo humano, a lama com rejeitos de mineração já trouxe a segunda mudança no trecho do Rio Doce que corta Linhares. Agora, a água que estava turva, está mesmo da cor de lama. Quando nossa equipe esteve por volta das 16h10 dessa sexta-feira (20) no Porto do Rio Doce, também chamado de Cais do Porto, muitas pessoas estavam aglomeradas e algumas sem entender ao certo o que realmente acontece com o rio. “Semana que vem volta tudo ao normal”, acredita Sunamita Oliveira, que em seguida foi corrigida por uma companheira que via o rio junto com ela: “Pelo que estão falando, a gente pode esquecer esse rio. Será como algo que poderemos olhar, mas sem chegar perto. Só Deus na causa”, disse ela.
Um carro oficial de controle de fiscalização ambiental estava estacionado na margem do rio e na parte de cima, muitos veículos tomavam, quase o estacionamento por completo. As 24 que a justiça deu para a Samarco tomar providências para que a lama não chegue ao mar, venderam na noite desta quinta-feira (19), mas a multa de R$ 10 milhões por dia não foi aplicada porque no último minuto a mineradora apresentou uma série de protocolos sobre a iniciativa.
Desde a determinação, a movimentação de pessoas com procedimentos usados para conter derramamento de óleo é grande na Foz do Rio Doce, em Regência, onde a lama chega nesse fim de semana. As contenções se estendem até Povoação, mas as duas comunidades estão apreensivas com o que pode acontecer depois que a lama chegar.
A semana foi de atenção total ao Rio Doce: equipes da Samarco e voluntários de toda parte da cidade se uniram para resgatar peixes do Rio Doce. Colaboradores da mineradoras colocaram nos tanques apropriados do Incaper, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, e do projeto Tamar, mas muitos voluntários, conclamados através das redes sociais, tiraram os peixes do Rio Doce e levaram para as lagoas e o Rio Pequeno.
Tendas
Outra ação da Samarco foi colocar tendas para que os Linharenses possam tirar dúvidas sobre o desastre ambiental causado pela lama que veio de Mariana, Minas Gerais. Em Regência uma foi montada na Praça Caboclo Bernardo e em Povoação, um morador disse que a comunidade também recebeu essa ação, mas que "está sendo difícil entender".
Em Linhares, na sede, a tenda foi montada na esquina da Rua Monsenhor Pedrinha, onde fica o camelódromo, mais precisamente ao lado do ponto de táxi do Mercado Municipal.
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