
Regência é o centro das atenções nesta quinta e sexta-feira (19 e 20) quando o assunto é a passagem da lama contaminada que veio de Mariana, Minas Gerais para desaguar no mar através do Rio Doce.
Nesta sexta-feira (19), o que se observou na Vila foi uma espécie de força tarefa para que o impacto ambiental seja o menor possível por causa da lama de rejeitos das barragens da Samarco. “Vi uma pessoa chegar de carro e depois que olhou o rio (Doce) voltou ao veículo chorando. É um surfista de Vitória que está aqui para ajudar a gente”, disse um morador.
Estamos aguardando a Lama da Morte chegar
Avisando que trata-se de um “desabafo”, Paulo Randow, que acompanha de perto o que acontece no Rio Doce e que nos últimos dias tem publicado fotografias das ações desenvolvidas por especialistas e equipes da Samarco em Regência, disse, nesta quinta-feira, que estamos esperando a “lama da morte”.
“Todos que têm me acompanhado percebem a seriedade com que trato o tema desse desastre, porque amo o Rio Doce e nele aprendi muito sobre viver. Peço licença nesse momento para desabafar o que me parece natural num momento em que estamos aguardando a Lama da Morte chegar”, disse ele.
E Paulo prossegue: “Toda essa operação de guerra para minimizar o impacto da lama no estuário me pareceu agora a pouco apenas uma encenação para gerar imagens que permitam a empresa dizer que fizeram o possível. Conversei com pescadores que foram contratados para instalar a proteção flutuante e nenhum me passou acreditar estar fazendo um trabalho verdadeiro. Recebem R$ 200,00 de diária. Um dos pescadores nativos, filho de pescador nativo, que preservarei o nome por respeito, me contou entristecido que não faz sentido isso, porque a lama vem por baixo e não por cima, e que muitas delas nem chegam ao fundo na maré cheia, e quando a lama chegar estaremos com 1,3 metros de altura da maré”.
Antes de finalizar, ele esclareceu: “Sou uma pessoa que gosta de acreditar nas pessoas, gosto de ser verdadeiro, mas no momento vejo apenas uma operação "Para Inglês Ver". Para ser fotografado, filmado e usado como defesa na justiça. Que eu esteja errado e que essa lama não fique parada aqui, porque tudo indica que é isso que vai ficar, por muito tempo. A boca norte do rio não será mais fechada e tentarão reabrir a boca sul do rio no tempo que ainda resta”, concluiu Paulo.
As fotos foram enviadas para o Site Eu Vi em Linhares e circulam pelas redes sociais. Clque aqui e saiba mais sobre a movimentação da semana na Vila por causa da lama da Samarco.
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