
A Câmara municipal de Linhares convidou técnicos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para receber orientações acerca do impacto ambiental que o município de Linhares pode sofrer com os rejeitos minerais vindos das barragens de Mariana, em Minas Gerais. Os profissionais foram destaque na sessão desta segunda-feira (16) e participaram os professores doutores da Ufes, Campus São Mateus, Luís Fernando Duboc, Alexandre Facco e Marcos Teixeira. A iniciativa contou com apoio de todos os vereadores.
O doutor em ciências biológicas Luís Fernando Duboc, que é estudioso da ictiologia de sistemas aquáticos continentais (estudo dos peixes), disse ser a primeira vez que eles, atuantes na área, foram convidados por um órgão público para consulta sobre a questão da lama tóxica que desce pelo Rio Doce. “Que o rio vá morrer, é subjetivo, porque o que está sendo atingido é a calha do rio que tem vários afluentes que mantêm a sua fauna, flora e ictiofauna (conjunto de espécies de peixes)”, disse ele.
O especialista afirmou que a chamada “Operação Arca de Noé”, para transferência de espécies, não seria recomendada: “Não há um levantamento das espécies de peixes da bacia do Rio Doce. O efeito poderia ser pior por falta desse levantamento”.
Luís Fernando Duboc recomendou uma centralização de informações sobre as consequências ambientais, experiência que deu certo em outros desastres ecológicos. Segundo Duboc, todos os questionamentos e respostas deveriam ser canalizados em um só gabinete para que houvesse consenso de informações e decisões, o que não está acontecendo.
Alexandre Facco, doutor em meteorologia agrícola e recursos hídricos e pesquisador da área de manejo de bacias hidrográficas do Norte do Espírito Santo, também falou em monitoramento. “Podemos pensar nos estudos e acompanhamentos dos efeitos nas matas ciliares (que ficam próximas dos rios), dos afluentes do Rio Doce”. Facco explicou que quando há uma vazão mais regular dos afluentes, a tendência é lavar mais rápido o manancial, diminuindo o efeito do assoreamento já existente e da lama de minério.
Para Marcos Teixeira, pesquisador de políticas públicas sobre o Meio Ambiente no Norte do Estado, falta mesmo fiscalização. Ele ainda sugeriu a constituição de um grupo de monitoramento de curto, médio e longo prazo, porque as medidas emergenciais estão sendo tomadas.
Fonte: Assessoria CML
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