
Muito movimento nos cemitérios de Linhares no Dia de Finados (2 de novembro), feriado católico para homenagear os mortos. O Site Eu Vi em Linhares percorreu os três “campos santos” da sede do município nessa manhã e, tanto no Cemitério Conceição, quanto no São José, como no Planalto, foi registrado grande número de pessoas participando da programação religiosa em cada unidade.
No Cemitério Conceição, enquanto uma missa era realizada sob a copa de uma enorme árvore, alguns lamentavam a perda de ente queridos em frente aos jazigos e outros entregavam panfletos na entrada.
Já no finalzinho de uma missa, conversamos com Lindalva Silva Oliveira, que é católica e reserva o dia 02 de novembro para ir ao cemitério: “Aqui (Cemitério Conceição) estão enterrados muitos parentes e amigos. Nesse dia saímos bem cedo de São Mateus para trazermos flores, velas e participarmos da primeira missa”, disse ela, que estava acompanhada dos dois filhos, esposo e uma amiga.
Perto do local da entrevista, um homem sentado na lateral de um jazigo demonstra o lamento em frente a outro túmulo. Ele estava tão concentrado que nem ouviu se gostaria de falar sobre o momento.
Na entrada do Cemitério Conceição encontramos um grupo de adventistas entregando panfletos que trazem esperança para os que estão tristes por causa da morte de parentes e amigos. De acordo com Ivan Souza Amaral, o grupo estava à postos desde as 7h30 e o trabalho evangelístico se estenderia até as 14 horas.
Saindo do Conceição seguimos até o Cemitério São José, no bairro Novo Horizonte. Ali o movimento bem maior quase impossibilitava o tráfego de veículos na Avenida Presidente Costa e Silva, logo após a pracinha. A economia informal foi o destaque observado pela equipe do Site Eu Vi em Linhares. Confira abaixo as conversas com os ambulantes:
As vendas começaram com abacaxis, seguiam com flores, velas e fósforos, água de coco e mineral e até churrasquinho.
Quem estava feliz da vida era Olivia Nunes, com sua barraca de flores e velas. Ela disse que estava “acompanhando as condições do consumidor por causa da crise” e o produto de valor mais alto custava R$ 10,00. Ah, a caixa com velas não era vendida separada da caixa de fósforos: R$ 5,00. Já a caixa com fósforos, separada, foi fixada em R$ 1,00 e quase não tinha mais velas e fósforos disponíveis. "Vou buscar mais, pois não pode deixar o freguês na mão, não é mesmo", antecipou.
Também entre as barracas encontramos Valmir de Souza Bastos, o Grilo, conhecido na cidade por vender churrasquinho. Mas no Dia de Finados, além de churrasco, ele estava vendendo velas a R$ 5,00 a caixinha. “E o cliente ganha o fósforo”, propagou ao elogiar o movimento, que, segundo ele, estava "ótimo" para um feriado de ganhos extras.

Mas quem não estava nada feliz com o movimento era o Edimar Paixão dos Santos e o Sebastião Teixeira de Almeida Junior. Um colocou uma exposição de abacaxis em uma esquina em frente à capela Mortuária e o outro se infiltrou em local mais estratégico, no meio das barracas, mas: “A venda tá fraca, mas deve melhorar”, confiou Edimar. “Não vendi nada e se não vender até daqui a pouco, vou mudar de lugar”, revelou Sebastião.
Quem também esperava pelos fregueses era a ambulante Edilamares Laurente com as suas vendas de água mineral e de coco. Mesmo com o sol escaldante e calor insuportável, até às 10 horas ela esperava pelos consumidores. “Vai melhorar, eu sei que vai”, justificou.
Daqui a pouco voltaremos com destaques do Cemitério do Planalto. Prepare-se para se emocionar...
Atualizada às 12h31 - No Cemitério do Planalto a rua em frente à entrada estava repleta de carros, muitos trafegando e outros estacionados. Quando a nossa equipe chegou, estava acontecendo uma missa, mas também havia movimentação entre os túmulos..jpg)
Enquanto conversávamos com o coveiro Claudionor Mendes, que há 10 anos trabalha no local, perguntamos se algum sepultamento o marcou durante essa década. Claudio, como é chamado, nos levou ao túmulo de Kauã Lucas Araújo Elisiário, um garotinho de um ano de idade, sepultado em setembro de 2013. “É triste a morte de uma criança, mas o Kauazinho morreu de maneira violenta, com um tiro na cabeça”, disse o coveiro. (O crime foi praticado por um rapaz de 19 anos e o alvo do atirador era o pai dele).
Outro túmulo que enaltece a saudade é o da professora Mirtes Belmiro, que era professora e faleceu aos 31 anos, no dia 1º de maio do ano em curso. Mirtes morava no bairro Movelar e morreu após ter sido encontrada desmaiada, quando se recuperava de um acidente de trânsito. Ela deixou o marido e uma filha pequena.
Nossa equipe esteve, ainda, no túmulo da servidora pública Liliana Souza de Oliveira, que morreu aos 42 anos, com três tiros distribuídos na cabeça, braço e peito, todos desferidos por Antônio Derli Freitas Rossi, 52 anos, que se matou com tiro no ouvido esquerdo logo após matar Liliana. Ele estaria tentando uma reconciliação e a tragédia aconteceu no bairro Colina, assim que a vítima saiu do trabalho, no extinto Hospital Talma.
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