
Bendita Seca. Talvez esta seca seja um daqueles casos em que o mal vem para o bem. Pelo menos, nunca vi tantas pessoas preocupadas com a questão ambiental. O assunto está sendo discutido em bares, nas escolas, dentro dos ônibus, nas ruas, na família, nas igrejas, nos fóruns políticos e em todos os lugares onde alguém tenha necessidade de cozinhar, lavar as mãos ou tomar um banho.
Se Deus escreve certo por linhas tortas, podemos interpretar que foi necessário nos impor este flagelo para que possamos refletir sobre nossas atitudes em relação ao planeta em que vivemos. Este é um daqueles momentos em que percebemos que estamos todos no mesmo barco, independente de raça, de condição social, de religião ou de posições política e ideológica. Pau que dá em Chico, também dá em Francisco.
O quadro de depredação ambiental que a seca deixa exposto, não foi construído da noite para o dia. Ele nos foi apresentado há dezenas de anos atrás, quando, por exemplo, a navegação pelas águas do Rio Doce praticamente se inviabilizou.
Há cerca de 30 anos quando cheguei a Linhares, algumas pessoas mais atentas, já chamavam a atenção para a questão da ocupação desordenada nas margens do Rio Doce e da Lagoa Juparanã. Mas essa discussão nunca entrou na pauta de nossas preocupações.
É como se tivéssemos hibernados e, ao acordar, nos deparássemos com esse cenário catastrófico, com rios e lagoas secando. Sei que assim que a chuva chegar, tudo voltará à normalidade. Mais ou menos como aconteceu com a marcha contra a corrupção, lembram? Todo mundo saiu às ruas para protestar contra os corruptos, mas na hora de votar, estes foram os preferidos dos eleitores. Portanto, até a próxima chuva.
Zenilton Custódio é jornalista
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