
Nascido em Vitória, há mais ou menos 30 anos, fui atraído para Linhares pelas belezas naturais da região de Povoação. Quando vi aquelas lagoas maravilhosas, a foz do Rio Doce, uma estrada no meio da Mata Atlântica, aquela praia que se perdia no horizonte, a floresta de restinga quase intacta, as roças de cacau, a fartura da pesca, o congo, a folia de reis, pássaros de todas as cores, jovens pegando onda, endoidei. Pensei: aqui é o paraíso.
E não demorou muito para perceber que o território linharense é repleto de belezas naturais assim, permitindo a exploração de um diversificado leque de atividades turísticas. Entretanto, incrivelmente, o setor ainda não decolou, não aparece com destaque em nosso PIB (Produto Interno Bruto). Não sei como conseguimos essa proeza, mas a verdade é que estamos em desvantagem competitiva em relação a vizinhos como São Mateus, Aracruz, Santa Teresa e Conceição da Barra, apenas para citar alguns.
São tantas as oportunidades de exploração do setor que poderíamos citar mais de 10 tipologias de turismo que podem ser praticadas no território linharense. Vamos tentar: turismo de aventura, turismo ecológico, turismo de pesca, turismo náutico (uso de embarcações para deslocamento turístico em lagoas, no mar, rios e em represas), turismo de contemplação( se maravilhar com aves em seu habitat natural, por exemplo), turismo desportivo(surf e bodyboarding), turismo gastronômico(chocolate, peixe, etc), turismo rural, turismo cultural, turismo de negócios, turismo histórico e até turismo arqueológico, já que mais de 30 sítios, inclusive sambaquis, foram encontrados em nosso território.
Sei que a iniciativa da exploração da atividade deve partir do setor privado. Entretanto, é obrigação do poder público fomentar o exercício deste tipo de empreendedorismo, despertar esta vocação, criar diretrizes, mostrar o caminho das pedras aos empreendedores a partir de um planejamento bem feito, visando proporcionar-lhes maior segurança.
Hoje, quem levar um visitante para conhecer a Lagoa Juparanã passa vergonha, tal o estado de depredação em que se encontra aquele manancial. Não apenas por causa do prolongado período de estiagem, mas, sobretudo, pela ocupação desordenada, selvagem e cruel que acontece em seu redor.
No Rio de Janeiro, favelas se constituem em um roteiro para visitantes e, em algumas regiões, até cemitérios se transformam em produtos turísticos. E, nós, que vivemos em uma cidade rodeada por florestas, lagoas, rios, fazendas, etc; não conseguimos dar visibilidade e muito menos cuidar de nossas belezas naturais.
Turismo gera emprego e renda, movimenta pequenas e médias empresas, como bares, restaurantes, hotéis, pousadas, transporte, etc. Não podemos ficar dependendo do carnaval e do verão para explorá-lo como uma atividade de negócio, considerando que temos atrações para todos os períodos do ano, inclusive, no inverno.
Zenilton Custódio é jornalista
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