
Apesar de encontrar- se em Portugal, o biólogo e arqueólogo João Luiz Teixeira, por intermédio das redes sociais, ao comentar sobre o desastre do abastecimento de água no município, chamou a atenção para o fato do linharense (ou pelo menos a maioria) ser muito displicente em relação às questões ambientais. "Está todo mundo preocupado em lavar a b...., mas ninguém está nem aí para o meio ambiente", destacou João que há anos, quase solitariamente, chama atenção para os vários problemas que impactam nossos recursos naturais.
Talvez, esta crise de abastecimento tenha sido um daqueles casos em que o mal vem para o bem. Ouvi muita gente ironizando o fato de estar faltando água em um município que possui 69 lagoas e outros aproveitando a deixa para fazer política contra o prefeito. Mas a verdade, é que apesar de possuirmos a mais extensa faixa litorânea do Espírito Santo, 69 lagoas, incluindo uma das maiores do Brasil e de Linhares ser cortado pelo rio mais importante do estado, ainda não incluímos as questões ambientais em nossa pauta de preocupações.
Apesar do município ser coberto pelo maior extrato de Mata Atlântica do território capixaba, não contamos com nenhum vereador, com nenhum político local que tenha abraçado a causa ambiental. E o motivo é simples: isto não gera votos, pois são pouquíssimas pessoas que estão preocupadas com esse tema.
Daí, mais do que justa a indignação de João Luiz Teixeira. Ele sabe que, normalizado o abastecimento, ninguém mais toca no assunto, a não ser para fazer política. E esta tal mancha negra que apareceu no Rio Pequeno, cá pra nós, significa muito pouco diante dos graves fatores de contaminação que já há vários anos comprometem a qualidade da água de nossa principal fonte de abastecimento.
Quer saber de quem é a culpa? Uma dica: se olhe no espelho. Por incrível que possa parecer, ainda hoje alimentamos a cultura, conservadora e machista, de que militância ambientalista é coisa de maconheiro e boiola. Sem entrar no mérito da causa do problema, eu diria que ficar sem água por um ou dois dias pode ser um castigo muito leve diante de nosso descaso para com as questões ambientais. Mas podem ter certeza, que o pior estar por vir.
Zenilton Custódio é jornalista
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