
A jovem democracia brasileira, capixaba e linharense, tem um grande desafio pela frente: derrotar este monstro chamado corrupção. Mas se ilude quem imagina que será igual acabar com uma briga de bar, tipo prender os envolvidos e, assim, resolver o problema. Afinal, trata- se de uma questão cultural, que está enraizada na história de nosso país.
A corrupção chegou aqui de navio, vinda de Portugal, país que na época do descobrimento era considerado o mais corrupto da Europa. O primeiro ficha suja da política brasileira, conforme anota o livro História do Brasil para Ocupados, lançado pela editora Casa da Palavra, foi um cara chamado Pedro Borges, um português que já havia sido condenado em seu país por desviar verba das obras de construção de um aqueduto.
Como parte da punição, ele foi enviado para o Brasil para exercer a função de ouvidor-geral, cargo equivalente ao de Ministro da Justiça. Ou seja, colocaram o ladrão para vigiar o tesouro nacional, e não deu outra. Roubou até dizer chega.
Mas o escritor Eduardo Bueno, que recentemente escreveu A Coroa, a Cruz e a Espada, destaca em seu livro que o primeiro indício claro de corrupção em nossas terras, pode ser percebido na carta que Pero Vaz de Caminha enviou para o rei Dom Manuel, em 1.500. Nela, o escriba aproveita a oportunidade para pedir a volta a Portugal de seu genro, que havia sido degradado para a África, por ter roubado uma igreja e espancado um padre.
E todo mundo sabe, que os primeiros habitantes do Brasil, eram criminosos, enviados para cá como punição. Só com Tomé de Souza, o primeiro governador-geral do Brasil, por exemplo, vieram 400, entre ladrões, assassinos e outros, observando que esta punição era destinada a 200 tipos de crimes, inclusive, para quem cometesse adultério e cafetinagem.
Portanto, somos herdeiros da corrupção de Portugal e aqui a aperfeiçoamos. E a corrupção generalizada não parou mais. Praticando casos de nepotismo, clientelismo, desvio de verba, desrespeito às leis, despotismo, etc, passamos pela Primeira República, cujos políticos eram chamados de carcomidos; por Getúlio Vargas, que foi derrubado em 1954 sob a acusação de ter criado um mar de lama no Catete; pela ditadura militar, período em que pipocaram casos de corrupção por todos lados, até os dias de hoje.
Carinhosamente batizada por nós de "jeitinho brasileiro", a corrupção já nós é ensinada logo que entramos para a escola. É o aluno que não participa do trabalho de grupo, mas que pede aos colegas que coloquem seu nome; é o aluno que não estuda, mas passa nas provas colando, e por aí afora. Mas como acabar com esse mal? Resposta: dando educação ao povo para que a sociedade civil possa exercer sua cidadania.
Foi assim que aconteceu em Portugal, que hoje tem um dos mais baixos níveis de corrupção do mundo (32ª posição no ranking da Transparência Internacional, entre 175 países avaliados). Eu pergunto: você faz a sua parte?
Zenilton Custódio é jornalista
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