
Repercutiu mal na imprensa capixaba a determinação do conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES), Sérgio Borges, em suspender o parecer prévio da contas do ex-prefeito de Linhares, Guerino Luiz Zanon mesmo depois da decisão colegiada do próprio Tribunal já ter trânsito em julgado. Em reportagem da última sexta-feira (17) do jornal A Gazeta, assinada pelo jornalista e colunista político Eduardo Fachetti, a atitude de Sérgio Borges foi classificada como desastrosa, incompreensível e estranha, segundo fontes ouvidas pelo jornal.
O jornalista narra a relação política entre os dois (Sérgio Borges é ex-companheiro de partido de Zanon) e também a maneira como a decisão do conselheiro foi tomada. De acordo com a publicação, em momento algum Borges levou ao conhecimento dos demais conselheiros o pedido feito por Zanon para suspender o acórdão do TCES.
Ainda segundo o jornal, “Borges agiu em silêncio”. Os demais conselheiros só ficaram sabendo da decisão tomada após o fim da sessão e houve ainda quem só tivesse tomando conhecimento do assunto no dia seguinte. O texto do jornal finaliza informando que o recurso pretendido por Guerino é inadmissível, mas que ao agir sozinho, Sérgio Borges confrontou as regras da Corte para que Zanon, “seu aliado de outrora”, pudesse ganhar tempo.
Na semana passada, o conselheiro Sérgio Borges apareceu em uma notícia veiculada em rede nacional. Segundo a Agência Congresso, a ONG Transparência Brasil divulgou uma relação com 47 conselheiros de todo o Brasil que possuem envolvimento com ocorrências criminais na Justiça ou nas próprias cortes.
De acordo com a publicação, No Espírito Santo a situação que beira o absurdo, já que Sérgio Borges respondeu a duas ações de improbidade administrativa, incluindo desvio de recursos. De acordo com a Justiça, Borges teria recebido, por meio de contas de laranjas, R$ 30 mil como pagamento por seu voto para assegurar a reeleição de José Carlos Gratz para a Presidência da Assembleia Legislativa do Estado, em dezembro de 2000.
O conselheiro também foi condenado com base na Lei de Improbidade Administrativa, Borges teve seus direitos políticos suspensos por oito anos, ficou proibido de contratar com o poder público por 10 anos e foi multado em R$ 15 mil. Apesar da extensa lista, em novembro de 2013 Borges assumiu o cargo de conselheiro do TCES, tendo seu nome aprovado pela Assembleia Legislativa, mesmo concorrendo com outros 19 nomes, alguns técnicos.
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Foto: reprodução página Coluna Praça Oito dia 17/04/2015 jornal A Gazeta
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