
“Acabamos de receber, em nossas dependências, um adolescente, de 14 anos de idade, conduzido por estar de posse de três buchas da droga conhecida popularmente como “maconha”. Coisa comum no nosso dia a dia, se não fosse pelo fato de nosso infante, já ter sido vítima de homicídio tentado, no ano passado e ter sobrevivido por milagre; De ter duas certidões de nascimento oficiais, uma P.H.B.D.B e outra H.B., curioso como sempre, claro que perguntei o motivo, e obtive a seguinte resposta: “eu tenho dois registros porque meu pai se separou de minha mãe, e ela com raiva, fez uma nova certidão de nascimento no cartório, mudou meu nome e tirou o nome do meu pai da certidão nova”.
E finalmente, para fechar com chave de ouro, perguntei se estava na escola, e tive como resposta que não, que a mãe o tirou da escola para ajudar o padrasto no serviço de ajudante de pedreiro, aprofundando mais o assunto, perguntei até que série teria estudado, resposta, 5ª serie, perguntamos a data do nascimento? Não sabia! A data do aniversário? Não sabia! E o depoimento seguiu normalmente, com outros detalhes, informou que apesar de ser usuário de maconha, a droga não lhe pertencia e finalmente, com depoimento sendo impresso, para nosso assombro, descobrimos que o rapaz não sabia nem ler, nem escrever, pasmos e não entendendo nada, perguntamos: Como um adolescente que estudou até a quinta série não sabe nem ler, nem escrever? Não sabe nem o que são operações matemáticas básicas? Não conhece números? Resposta do próprio mancebo: “A PROFESSORA FOI ME PASSANDO DE ANO!”
Fabrício Lucindo Lima é delegado da Polícia Civil de Sooretama
Mín. 19° Máx. 28°