
Alexandre Martins de Castro Filho, o juiz carioca que adotou o Espírito Santo como lugar para viver, entre outras cidades capixabas, morou e trabalhou em Linhares, quando o Fórum Desembargador Mendes Wanderley ainda funcionava nas repartições da Praça 22 de Agosto. Ele teve a voz calada ao ser morto a tiros, no dia 23 de março de 2003. Abaixo, o pai dele, Alexandre Martins de Castro, desabafa:
“Há doze anos, no dia 24/03/2003, um jovem de 32 anos, às 08:00, saltou de seu carro, em frente à Academia, para fazer ginástica. Ainda um pouco sonolento, trazia na mão apenas uma toalha. Sem a menor chance de defesa, foi alvejado por três tiros, um no coração, outro na cabeça e outro no braço, que lhe tiraram a vida em pouco menos de um minuto.
Acabava ali a vida do Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que era combativo, corajoso, honesto, competente, que orgulhava a magistratura do Estado e que, vigorosamente, combatia o crime organizado.
O covarde crime, porém não parou ali. Continua, a cada dia, porque os acusados de mando do crime permanecem não se submetendo a julgamento. Continua a cada dia que todos nós vemos um atestado de impunidade que é dado pelos três que não param de procrastinar, de protelar, com subterfúgios que lhes permitem ganhar tempo em liberdade.
Dia 25 de maio está marcado o julgamento de dois deles. MAS SÃO TRÊS. E enquanto os três não forem julgados, o homicídio repetir-se-á a cada dia.
Inocência não se comprova com discurso de representantes: comprova-se com julgamento pelo Tribunal do Júri. Enquanto isso não acontecer, os três tiros estarão atingindo, também, toda sociedade ordeira.
Minha alma não se acalmou com a condenação das mãos que atiraram. Ela clama pela condenação das mentes que mandaram aquelas mãos atirarem.
Peço e agradeço, como pai, que hoje você faça uma oração pela alma daquele valoroso magistrado, que se chamava Alexandre Martins de Castro Filho”.
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