
A expectativa em relação a análise das contas do ex- prefeito Guerino Zanon pela Câmara Municipal de Linhares, não tem como foco apenas o veredito final do processo. Está em jogo também a reputação dos vereadores e, quiçá, seu futuro político. E é bom que eles saibam que, independente de qualquer ação, a averiguação das contas já se desenvolve sob um clima de total desconfiança. Qualquer ruído de comunicação não devidamente esclarecido, pode se transformar objeto de suspeita.
O anúncio repentino da vinda do governador Paulo Hartung a Linhares nesta terça-feira – 3-, por exemplo, deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. “Ingerência governamental no processo?” Pessoalmente, acredito que não. Até porque desconfiar de nossos políticos poderia soar como um insulto à inteligência dos linharenses que os elegeram. Mas a verdade, é que a Câmara Municipal se transformou em uma espécie de big brother. Todos estão de olho nessa batalha, já que a aprovação ou não das contas do ex- prefeito poderá definir, ou pelo menos influenciar de forma importante nos rumos do pleito eleitoral de 2016. Mas como mostrar para a população linharense que tudo está sendo feito dentro da mais absoluta lisura? Com certeza, não sou a pessoa mais indicada para dar qualquer palpite. Porém, o bom senso recomenda total transparência aos vereadores. Não que isso irá ajudar muito, pois convencer o já desfolado eleitor que a Câmara Municipal não irá funcionar como um balcão de negócios nesse processo, será difícil. Mas ao agir com isenção, demonstrando senso de responsabilidade no exercício de suas atribuições, o vereador estará cumprindo seu papel de forma honrosa, legitimando seu mandato e contemplando os anseios de uma população enojada com tantas maracutaias.
Só para entender: As contas do ex- prefeito foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado com ressalvas técnicas. Foram encaminhadas para a Câmara Municipal de Linhares. Caberá aos vereadores aprovar ou reprovar as contas. No momento, pelo que se comenta nos bastidores, quatro vereadores estariam propensos a aprovar as contas e, os outros nove, a reprová- las. Se isto acontecer, Guerino Zanon corre risco de ficar inelegível. Para sair dessa enrascada ele precisaria de pelo menos mais dois votos.
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