
Contando com apenas quatro dos 13 votos da Câmara Municipal de Linhares, o ex- prefeito e deputado Guerino Zanon (PMDB) corre contra o tempo para conseguir pelo menos mais dois votos visando impedir que suas contas relativas ao exercício de 2011, que foram aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES), sejam rejeitadas pela maioria dos vereadores. Mas quem estaria propenso a mudar de posição a esta altura dos acontecimentos?
Miltinho Colega (PSDB) o presidente da Câmara Municipal linharense, seria um dos salvadores da pátria? É bom lembrar que até há dois anos ele e Guerino eram aliados. Na última eleição municipal, por exemplo, o tucano se empenhou para que seu partido abrisse mão da candidatura do empresário Juarez Smarçaro, para apoiar Zanon. Mas com a vitória de Nozinho Correia no pleito, tudo mudou. Miltinho foi eleito presidente da Câmara por dois mandados com apoio do fazendeiro e, com certeza, não será ele que irá estender a mão para Guerino.
Não podemos esquecer que muitos vereadores detêm cargos comissionados na prefeitura e que, contrariar os interesses de quem está no poder significa perder tudo de uma hora pra outra. Isso aconteceu recentemente, por exemplo, com o vereador Fabrício Lopes. Apesar de ter sido eleito com apoio de Guerino, ele estava afinado com administração de Nozinho. Porém, bastou pisar na bola para perder em torno de 20 empregos.
É importante lembrar que a partir de oito votos, que configuram maioria absoluta, a Câmara Municipal tem poderes para rejeitar as contas. Portanto, se seis vereadores se posicionarem contrários à proposta, o placar ficaria de 7 a 6 ( 7 + 6 = 13) e sete não se configura em maioria absoluta.
Mas vamos continuar nossa análise. Seria o vereador Tarcísio Silva (PSB), aliado de Guerino em várias batalhas, um dos votos que tiraria Guerino do sufoco? Afinal, na última eleição municipal, ele chegou a abrir mão de disputar a vice- prefeitura ao lado de Nozinho para apoiar Guerino Zanon. Mas a verdade, é que hoje ele se destaca como um dos políticos mais influentes no apoio a atual administração. Portanto, seu apoio ao velho aliado está praticamente fora de cogitação.
Marcelo Pessotti (PSP), que se não me engano caminhou ao lado de Guerino em três disputas eleitorais, seria a tábua de salvação? Acho improvável. E Juninho Freiris (PP), que chegou a ocupar um cargo comissionado na última administração de Zanon? Também acho que não. Pelo que vêem, a situação não está nada fácil para o peemedebista. Em relação aos nomes de Estéfano Silote (PDT), Edimar Vitorazzi (PTN) e Zeca Correa (PPL), não podemos nem cogitar. O primeiro é do partido de Nozinho, o segundo, amigo e confidente e, o terceiro, irmão do prefeito, que também preside a Comissão de finanças da Câmara Municipal,órgão que poderá bater o martelo pela rejeição. Até nisso Guerino está dando azar.
Quem sobrou? Vamos às contas. Nessa batalha, por enquanto, Guerino, conforme dissemos no início, só conta com quatro soldados, três deles considerados fieis aliados: Amantino Pereira Paiva (PMDB), Fabrício Lopes e Joel Celestrini. Ele conta também com o apoio garantido de José Cardia (PSD), vereador que faz oposição declarada a Nozinho.
Mas quatro votos, como sabemos, são insuficientes para salvar a pele do ex- prefeito. Então vamos em frente. E os vereadores do PSC, Pastor Miravaldo e Teixeira? Não estariam com eles os votos que Guerino procura? Olha aí uma luz no fundo do túnel. Apesar dos dois, pelo que sabemos, estarem propensos a votarem pela rejeição, poderiam ser pressionados pela executiva estadual do partido a mudarem o voto. O PSC é presidido pela deputada Lauriete Rodrigues Malta, esposa do senador Magno Malta. Apesar dele ser presidente do PR o que se comenta é que Malta também tem total domínio sobre o PSC, partidos que dirige com mão de ferro. Portanto, uma ordem sua dificilmente seria contestada.
Mas será se Guerino, orgulhoso como é, se sujeitaria a uma situação dessa? Não seria uma forma de mostrar desprestígio e fraqueza em seu próprio reduto eleitoral?
Uma outra alternativa para tirar Guerino desse sufoco, é retornar o radialista Renato Rangel para a Câmara Municipal através da via judicial. Renato, como sabemos, foi afastado em dezembro do ano passado sob acusação de improbidade administrativa. Se ele retornar, quem sai é Juninho que, provavelmente, votará a favor da rejeição. Mesmo assim, ele iria precisar de um segundo voto.
Portanto, como podemos perceber nem tudo está perdido para Guerino, porém as coisas também não estão nada fáceis. Ele tem entre 10 e 15 dias para mudar o jogo a seu favor. Não podemos, de forma alguma, subestimar sua capacidade e seu poder de influência e articulação. Até porque, Guerino, que recentemente não obteve êxito em seu projeto de ser presidente da Assembleia Legislativa, sabe que uma nova derrota poderia lhe custar muito caro politicamente.
Mas é bom lembrar que estamos falando de política e, em política, o imprevisível é sempre possível.
Zenilton Custódio é jornalista.
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