
Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá/Não permita Deus que eu morra/ Sem que eu volte para lá.
(Canção do Exílio, Gonçalves Dias).
O ex- prefeito de Linhares, Antônio Muniz dos Reis, morreu sem poder retornar ao convívio da família e de seu povo. Exilado desde 1979, quando sofreu um atentado a bala na sede da Prefeitura Municipal, onde exercia o cargo de chefe do executivo desde 1977, ele deu seus últimos suspiros na agitada e populosa cidade de Imperatriz, capital metropolitana do Maranhão. Morreu 2. 394 quilômetros de distância da terra que amava.
Depois do atentado, a vida de Antônio Muniz mudou completamente. Ameaçado de morte, ele teve que sair às pressas de Linhares e do Espírito Santo, deixando a família para trás. Viveu no estado do Pará e, há seis anos, depois de contrair alzheimer, se mudou para um sítio na cidade de Imperatriz, no Maranhão, onde vivia sob o cuidado da filha mais nova, Cláudia. Há mais ou menos 25 dias sofreu uma queda, foi internado, contraiu pneumonia e acabou não resistindo.
Os versos do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, que usei no início da matéria, exprimem o sentimento que acompanhava o ex- prefeito em seus últimos anos de vida. O neto de Antônio Muniz, o estudante Felipe Reis Pedroti, 24 anos, residente em Linhares, relatou que o avô morreu alimentando o sonho de um dia poder retornar à sua terra. Entretanto, Muniz sabia que aqui não era um lugar seguro para ele.
“Esteve em Linhares umas cinco ou seis vezes depois de 1979, mas não ficava muito tempo”, contou. A última visita, aconteceu em 2011. Quando vinha aqui, conforme o neto, gostava de rever a parte histórica da cidade, como a Rua da Conceição e a Praça 22 de Agosto.
Mas apesar de estar fora do município há tanto tempo, em 2002 Antônio Muniz dos Reis subiu no palanque para declarar apoio à candidadura para deputado estadual de Guerino Zanon. Foi sua última participação na política linharense.
Depois que contraiu alzheimer, Antônio Muniz, que era apaixonado por um forró, preservava em sua memória apenas as lembranças mais antigas. Uma delas, estava relacionada com o atentado que sofreu em Linhares. Entretanto, abordar o assunto com ele era quase proibido, pois a simples menção do crime, que nunca foi esclarecido, o deixava muito nervoso, conforme observou o neto Felipe.
O herdeiro
Felipe talvez seja o único herdeiro político do avô. Foi candidato a vereador na última eleição municipal pelo PTC, não se elegeu e se prepara para dispurar a próxima. Quem o conhece, afirma que ele tem o carisma e a simpatia que transformaram Antônio Muniz em um dos políticos mais populares de Linhares. Em seu antebraço esquerdo, uma tatuagem com a inscrição “LEVAREI A TUA HISTÓRIA ATÉ O FIM” prenuncia sua disposição de dar continuidade à carreira política prematuramente interrompida do avô.
.jpg)
Mín. 19° Máx. 28°