
Na terça, na quarta e nesta quinta-feira (5), dezenas de alunos do projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA), foram à escola Manoel Martins, no balneário de Pontal do Ipiranga, para estudar. Mas deram com a “cara” na porta. Eles trabalharam o dia inteiro e pensam ter uma vida melhor, com conhecimento melhor, mas foram informados que, se quiserem continuar os estudos neste ano de 2015, terão que pedir transferência para outra escola. “Como, se moramos aqui e nos afirmaram que o EJA não mais será aplicado aqui no Pontal?”, questiona a cozinheira Sidnalva pinheiro, 34 anos, que trabalha o dia todo e resolveu estudar para ter uma vida melhor.
Muito revoltada com o fim do EJA no Pontal, a cozinheira prosseguiu: “Estamos indignados com essa situação. O que a Superintendência de Educação está tentando fazer é tirar os alunos das salas de aula e empurrá-los para a praça para usarem droga. O que não entendo é que Os governantes dizem que temos direito à educação, mas fecham salas de aula como aconteceu com o EJA do Pontal”, completa a estudante.
Outra aluna revoltada, a comerciante Andreia Caliman, também conversou com o Site Eu Vi em Linhares: “Ano passado tivemos salas superlotadas sem apoio pedagógico porque juntaram todas as turmas numa só. Fomos tratados com descaso. É pecado querer estudar, mesmo quando já somos adultos?”, indagou a aluna.
A vontade de retomar os estudos faz com que outra aluna, a dona de casa Reciele Pereira dos Santos, 35 anos, leve o filho, de quatro anos, com ela para a escola. Sem ter com quem deixar a criança, a gestante desabafa: “Mesmo grávida de cinco meses, venho cansada para estudar e trago o meu filho de quatro anos comigo. Acho que vale a pena estudar, mas começo a perceber que quem deveria cuidar da educação está lutando contra ela”, disse a dona de casa.
Também muito revoltada, Márcia Campista, 33 anos, deixa claro que tudo que quer é estudar: “Nós acreditamos em um futuro melhor, temos força de vontade para enfrentar a sala de aula depois de um dia inteiro de trabalho e o que recebemos é um balde de água fria do próprio governo”, desabafa a estudante.
Nos tentamos contato com a Associação de Moradores de Pontal do Ipiranga, mas a ligação caiu na caixa postal. O contato com a Superintendência de Educação não foi possível por causa do horário, mas nesta sexta-feira (6) vamos tentar saber o que está acontecendo.
Preliminarmente, a informação é que a extensão do EJA da Escola Conceição, no bairro Aviso, para Pontal do Ipiranga, foi mesmo suspensa para que o governo do estado corte despesas. Isso, contudo, só poderá ser confirmado ou não quando conseguirmos contato com a Superintendência Regional.
Protesto e abaixo assinado
Revoltados, os estudantes do EJA afirmaram ao Site Eu Vi em Linhares que fizeram um abaixo assinado (confira na foto abaixo ao lado da foto da aluna Márcia) para entregar às autoridades competentes, pedindo a volta do ensino. Caso não haja uma resposta positiva, na segunda-feira (9) os estudantes e seus familiares farão um protesto: nenhum outro estudante sairá do balneário rumo às salas de aula na sede de Linhares. “Se nós, humildes, não podemos estudar, os riquinhos também não poderão. Sabemos de muitos filhos de riquinhos que são levados ou guiam seus próprios carros para estudar em Linhares, mas a partir de segunda-feira vamos fechar a estrada do Pontal na hora de ir para a escola”, disse uma estudante.
Atualizada às 13h20 de 06/02/2015 – Tentamos contato durante a manhã e inicio da tarde com a Superintendência Regional de Educação, mas em dois números as linhas ou estavam ocupadas ou ninguém atendia as ligações, o que impossibilitou contato com a superintendente Maria da Penha Valane. Na Escola Conceição, no bairro Aviso, fomos informados pela Diretora, Jucenilda Sesana, que a mesma não tem poder de abrir ou fechar turmas e que apenas segue o que é determinado pela Sedu (Secretaria de Educação do Estado). Jucenilda disse que, além de Pontal do Ipiranga, também tem a extensão da Vila de Povoação, que também está sem aulas. Perguntamos se a Diretora poderia informar, se as aulas serão retomadas, quando ou se vão mesmo acabar. Ela repetiu que segue apenas determinação da Sedu e que não foi informada sobre esse assunto. “A escola é responsável pela documentação dos alunos. São uma turma do 1º Segmento, uma do 2º e outra do Ensino Médio e não temos como afirmar nada sobre isso”, disse Jocenilda.

Andreia Caliman está indignada. Sidnalva é uma das mais revoltadas, bem como a dona de casa Riciele

Marcia Campista, 33 anos, so estamos querendo estudar. É um absurdo o que estão fazendo conosco

Alguns estudantes que estiveram na escola na noite desta quinta-feira

Muita revolta na frente da escola do Pontal, cedida pela Prefeitura para que o Governo do Estado ministre o EJA
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