
A partir de 1º de abril, entra em vigor em Linhares a nova tarifa do transporte coletivo, fixada em R$ 5,60. A definição sobre quanto, de fato, o passageiro irá pagar, no entanto, depende da decisão da Câmara de Vereadores. É que está em análise a concessão de um subsídio público, única iniciativa que pode evitar que o reajuste impacte diretamente o bolso da população. Ou seja: a decisão está nas mãos dos 17 vereadores da cidade. Caso o subsídio seja aprovado, o valor pago pelo usuário poderá ser R$ 5,30. Se rejeitado, o novo valor integral será repassado aos passageiros.
Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, não é a empresa concessionária que define o valor da tarifa, e ela também não tem ingerência sobre essa decisão. O cálculo tarifário é realizado por meio de uma planilha técnica e submetido ao Conselho Tarifário Municipal, órgão composto por 11 membros representativos da sociedade linharense, responsável por deliberar sobre o valor da passagem.
Da mesma forma, a definição sobre a concessão de subsídio não cabe à empresa. Trata-se de uma decisão dos poderes Executivo e Legislativo, que avaliam a viabilidade do aporte de recursos públicos para garantir a modicidade tarifária.
O cálculo da tarifa considera uma série de custos operacionais indispensáveis para a manutenção do serviço, como combustível, manutenção da frota, reposição de peças e investimentos em renovação, garantindo segurança, acessibilidade e qualidade no atendimento à população.
O cenário acende um alerta: sem o apoio financeiro do poder público, um serviço essencial pode passar a pesar ainda mais no orçamento das famílias, comprometendo o acesso ao trabalho, à educação e à saúde.
De acordo com a empresa responsável pela concessão, a demanda de passageiros pagantes caiu significativamente nos últimos anos. Em 2019, foram registrados cerca de 9 milhões de usuários pagantes, número que caiu para aproximadamente 5 milhões em 2025.
Outro fator relevante é o volume de gratuidades, que chega a cerca de 1 milhão de passageiros por ano. Entre eles estão idosos e pessoas com deficiência, além de outros beneficiários previstos em lei, que têm direito ao transporte gratuito, mas cuja compensação financeira não possui fonte de custeio integralmente definida.
Sem o subsídio, esses custos são integralmente repassados à tarifa, impactando diretamente o usuário. Por isso, a decisão dos vereadores será determinante para o futuro do transporte público em Linhares.
Diante desse cenário, o debate, conforme nos explicou um economista, “exige responsabilidade e sensibilidade, reconhecendo que o transporte coletivo é um serviço essencial e um direito fundamental para o funcionamento da cidade”. Clique aqui para comentar e seguir o @euviemlinhares.

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