
Para alguns, o Dia dos Pais é sobre abraços, risadas e lembranças boas.
Para outros, é sobre silêncio, ausência ou dor.
Nem todo mundo tem um pai para comemorar.
E mesmo quem tem, pode não ter uma relação saudável.
Isso não é ingratidão. É realidade.
Na clínica, vejo como datas comemorativas funcionam como gatilhos emocionais. Elas escancaram o que já existe dentro de nós:
Se há afeto, a data intensifica o afeto.
Se há mágoa, ela também aumenta.
A presença e a ausência deixam marcas
A figura paterna, seja presente ou ausente, deixa marcas profundas.
Quando foi apoio e segurança, ajuda a criar adultos mais confiantes, com maior capacidade de se colocar no mundo.
Quando foi distante, instável ou agressiva, pode gerar insegurança, medo de rejeição, dificuldade em confiar e até autocobrança exagerada.
O que poucos percebem é que a ausência também é presença ela ocupa espaço dentro de quem sente falta, influencia decisões, relacionamentos e a forma como cada pessoa se enxerga.
Por que o Dia dos Pais pode ser difícil
Datas comemorativas são como lupas: aumentam a intensidade das emoções que já carregamos.
Quem perdeu o pai revive a saudade.
Quem nunca o conheceu pode sentir o peso de uma pergunta sem resposta.
Quem conviveu com violência ou abandono pode reviver feridas emocionais.
Essas reações não significam que você “não superou” ou “guarda rancor”. Elas mostram que existe uma história e toda história deixa vestígios.
O direito de viver a data do seu jeito
Você não precisa sentir o que esperam que sinta.
Pode celebrar. Pode ressignificar. Pode simplesmente não comemorar.
Algumas pessoas escolhem usar o dia para homenagear outras figuras que foram referência avôs, tios, padrastos, mães solo ou até amigos. Outras preferem um dia mais silencioso, cuidando de si, sem se expor a lembranças dolorosas.
Não existe um “certo” universal. Existe o que faz sentido para você.
E para você… o que essa data significa de verdade?
Caminhos de cuidado emocional
Se hoje a data te traz desconforto, alguns passos podem ajudar:
Permita-se sentir
Não tente sufocar a emoção. Reprimir pode aumentar a intensidade. Reconheça a tristeza, a saudade ou a raiva como sinais de que algo importa para você.
Crie seu próprio significado
Se a ausência dói, transforme a data em um momento de valor pessoal — seja escrevendo, fazendo algo que te acalme ou criando um novo ritual.
Busque apoio
Falar sobre o que sente, seja com pessoas de confiança ou com um profissional, ajuda a organizar o que está confuso por dentro.
Cuide da rotina
Alimentação, sono e pausas importam. Um corpo mais equilibrado ajuda a mente a lidar melhor com os gatilhos.
Quando é hora de buscar ajuda profissional
Se essa ou outras datas mexem de forma intensa com você a ponto de prejudicar seu humor, sono ou relações pode ser o momento de buscar apoio psicológico.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, trabalha de forma prática para identificar pensamentos automáticos, padrões de comportamento e estratégias para lidar com gatilhos emocionais.
Respeito pela sua história
O Dia dos Pais não é igual para todos e não precisa ser.
O mais importante é reconhecer a própria história e viver a data com honestidade emocional.
Às vezes, isso significa comemorar.
Às vezes, significa silenciar.
E está tudo bem.
A saúde emocional também se constrói quando damos espaço para sentir, acolher e compreender o que a data desperta.
Porque o cuidado consigo mesmo é um presente que ninguém mais pode dar em seu lugar.
Daiane Melo é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, e atende online e presencialmente em Linhares-ES. WhatsApp (27)99922-5583, Instagram: @psicologadaianemelo
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