
Texto e fotos – Wilton Junior
Banhistas que utilizam as águas da lagoa Juparanã, na altura do recém-inaugurado Parque Municipal, no bairro Canivete, que chegaram nos últimos dias ao local para se refrescarem do forte calor, notaram que a coloração da água ganhou um esverdeado diferente. No final da tarde de sexta-feira (26), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente interditou a área de banho da Juparanã.
De acordo com o biólogo Etore Bacheti, a mudança na tonalidade da água é decorrente da floração de algas que estão levando o manancial à um processo chamado eutrofização. “Isso é excesso de matéria orgânica que pode condenar o lago à morte, podendo ser provocado pelas atividades de piscicultura, a pecuária às margens da lagoa, a monocultura do eucalipto, além de um aporte de nutrientes de outras atividades que levam ao processo de eutrofização”, explicou o biólogo.
O médico dermatologista e ambientalista Jaques Mazzei explicou que a piscicultura em tanques redes está colaborando com a poluição dos mananciais em Linhares. “A criação de peixes na localidade de Guaxe, na Lagoa Juparanã, é uma atividade extremamente poluente. Um aquário residencial necessita de limpeza permanente com retirada de fezes dos peixinhos, caso contrário a água fica verde e os peixinhos morrem”, avaliou Mazzei.
A Associação dos Aquicultores de Linhares (Aqualin) rebateu as críticas e defendeu a atividade de piscicultura nas lagoas do município. “A entidade conduz estudos de impacto ambiental em lagoas do município através de uma parceira com a Ufes, a UVV e o Iema. Os resultados já mostram que a piscicultura não causa impactos ambientais alardeados pelos ambientalistas”.
Em nota, a Prefeitura de Linhares informou que trata-se de acúmulo de microalgas causado principalmente pelo calor, pela intensa iluminação solar e pela abundância de nutrientes na lagoa, fenômeno que vem sendo monitorado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A prefeitura disse ainda que o Iema faz análises semanais de balneabilidade na lagoa para garantir a segurança dos banhistas. Na sexta-feira foi feita nova coleta no Parque Municipal da lagoa e o resultado da avaliação será divulgado na próxima terça feira.
Como medida preventiva a área de banho em toda a extensão da Lagoa Juparanã foi proibida e a área do manancial no Parque Municipal está interditada. A prefeitura disse ainda que irá oficializar todos os municípios que margeiam a Lagoa Juparanã.
De acordo com o biólogo Elber Tesch, o lixo e o esgoto não tratado combinados ao sol e ao calor contribuem para a proliferação das cianobactérias. Esses organismos podem trazer riscos à saúde das pessoas. "As cianobactérias produzem algumas toxinas que podem causar de uma simples diarreia a problemas hepáticos e neurológicos”.
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