
Em 2025, o Brasil já registra 7.320 casos de Febre Oropouche, uma doença causada por um arbovírus transmitido pelo mosquito-pólvora e que apresenta sintomas parecidos com outras viroses. Das ocorrências relatadas nos três primeiros meses do ano, 72% (5.310) ocorreram no Espírito Santo, o estado com o maior número de notificações, seguido apenas do Rio de Janeiro, de acordo com o Ministério da Saúde.
A especialista Cláudia Mara Mognato, coordenadora do curso de Biomedicina de uma faculdade particular, reforça que a população do Espírito Santo deve ficar alerta aos principais sintomas, que são similares à dengue e Chikungunya, e buscar orientação médica. “O mosquito transmissor pode deixar manchas vermelha no local da picada. Alguns sintomas muito comuns são dor muscular, dor de cabeça, dor nas articulares, diarreia e náusea. O diagnóstico clínico, epidemiológico e laboratorial deve ser notificado de forma imediata. Portanto, ao sentir esses sintomas, procure um posto médico”, alerta.
O diagnóstico da Febre Oropouche é realizado por meio de exames laboratoriais, incluindo RT-PCR, para detectar o RNA viral no sangue, e Sorologia, para identificar anticorpos específicos contra o vírus Oropouche. Quanto ao tratamento, não há um específico e o manejo da doença é sintomático, podendo incluir antitérmicos e analgésicos para reduzir a febre e a dor, hidratação adequada e repouso.
Como realizar a prevenção - A especialista ressalta que materiais orgânicos como madeira apodrecida, cascas de árvores, esterco e lama contribuem para a sobrevivência do inseto. Cláudia Mara Mognato indica também a importância de a população utilizar repelentes e remover água parada.
“Os ovos que causam a Febre Oropouche são depositados em ambientes úmidos e eclodem entre dois e sete dias. As larvas se desenvolvem em três semanas, depois se enterram na lama ou areia e se transformam em pupas, tornando-se insetos adultos em três dias. Dessa forma, é essencial manter quintais e terrenos baldios limpos e evitar o acúmulo de materiais em decomposição", alerta.
Por fim, ela indica alguns cuidados a fim da sociedade reforçar a consciência social sobre o problema. Confira:
Eliminar locais de reprodução: O mosquito-pólvora se reproduz em água parada, portanto, é essencial eliminar ou evitar o acúmulo de água em recipientes ao ar livre, como vasos de plantas, pneus velhos, garrafas vazias e recipientes de armazenamento;
Manter recipientes de água limpos: Se você tem recipientes de água ao ar livre, como bebedouros de animais de estimação, vasos de plantas ou piscinas infantis, certifique-se de trocar a água regularmente e de limpá-los para evitar o acúmulo de larvas de mosquito;
Utilizar telas e mosquiteiros: Mantenha as portas e janelas fechadas ou protegidas por telas para impedir a entrada de mosquitos em sua casa. Além disso, utilizar mosquiteiros em torno de camas e berços pode ajudar a proteger você e sua família enquanto dormem;
Usar repelentes: Aplique repelentes de insetos, especialmente durante o amanhecer e o entardecer, quando os mosquitos-pólvora são mais ativos. Certifique-se de seguir as instruções de uso dos produtos e evite aplicar repelente em áreas sensíveis, como os olhos e a boca;
Usar roupas protetoras: Se estiver em áreas onde há muitos mosquitos, use roupas que cubram a maior parte do corpo, como calças compridas, camisas de manga comprida e sapatos fechados;
Eliminar locais de abrigo: Os mosquitos-pólvora também se abrigam em locais escuros e úmidos durante o dia. Mantenha sua casa limpa e livre de acúmulos de lixo e entulho, o que pode servir como abrigo para os mosquitos;
Colaborar com programas de controle de vetores: Contribua com programas de controle de vetores realizados pelas autoridades de saúde locais, como a aplicação de larvicidas em áreas propensas à reprodução de mosquitos e ações de conscientização na comunidade.
Por Letícia Zuim
Mín. 19° Máx. 28°