
A justiça mandou soltar mais uma mulher investigada na Operação “A Grande Família”, centralizada para apurar o envolvimento de pessoas na prática dos crimes de tráfico de drogas, associação, entre outros, no município de Linhares. Dias atrás foi solta Maysa Gallon da Silva, e agora quem saiu da prisão, numa decisão desta terça-feira (21), foi Ana Carolina dos Anjos Marassati. Ainda permanecem presas Yasmin Negrelli (que estagiava no Fórum de Linhares) e Cristina Pinheiro de Oliveira. Elder Rafael Zanelato, também citado na investigação, também encontra-se atrás das grades.
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No caso de Maysa, a defesa alegou que a mulher é usuária, e que a droga encontrada no apartamento dela, em Vitória, era para consumo próprio. Foi destacado, ainda na decisão, que o diálogo encontrado no celular dela, nada teria a ver com o tráfico de drogas, e sim como condição de usuária.
No caso de Ana Carolina, o alvará de soltura assinado pelo Juiz Tiago Camata se deu após a justiça assegurar que foi atingido o êxito da investigação, tendo, então o Ministério Público se manifestado pela revogação da prisão temporária da investigada.
Medidas cautelares – Na decisão constam as seguintes medidas cautelares a serem cumpridas pela investigada: comparecer aos atos do processo, todas as vezes que for intimada; manter o endereço atualizado; não mudar de endereço, sem prévia permissão do Juízo da 1ª Vara Criminal de Linhares; e está proibida de aproximação e contato com os demais investigados, por qualquer meio de comunicação, devendo manter distância mínima de 500 metros.
Confira abaixo os detalhes relativos aos trabalhos sobre a Operação, e também nota da defesa:
Mandados – A operação A Grande Família cumpriu quatro mandados de buscas e apreensões no município de Linhares e outro em Vitória, além de três mandados de prisões temporárias. A ação do Ministério Público por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Norte) e da Promotoria de Justiça de Linhares, com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar, causou verdadeiro alvoroço na cidade.
Na decisão, o Juiz Tiago Camata lembra o que consta nos autos: após a prisão do investigado Elder Rafael Zanelato, ficou apurado que este e mais dois indivíduos (um está no Iases) teriam cortado drogas na casa de Ana Carolina, e a jovem, ao ser conduzida à Delegacia por outro fato, teria, em tese, solicitado que Yasmim Negrelli fosse até a casa e retirasse as drogas antes da chegada da polícia.
Yasmim, que estagiava no Fórum de Linhares, ainda de acordo com a decisão de Tiago Camata, além de ter, supostamente, retirado as drogas do imóvel, atuava passando informações a Elder sobre a existência ou não de mandados de prisão contra pessoas do suposto grupo criminoso.
Para tal, ela estaria usando acesso aos sistemas que possuía, por ser estagiária do Poder Judiciário. Cristina, por sua vez, cita a decisão, atuaria transmitindo recados entre o adolescente internado no IASES e Elder, combinando, supostamente, um homicídio. A vítima seria uma mulher.
Apelidos incluem até “Deus é Fiel” – Autuado em flagrante no dia 05 de julho desse ano de 2023, com mais dois indivíduos, após supostamente o trio ter sido visualizado por policiais militares, cortando um tablete de maconha para fracionar e destinar para a venda, Elder Rafael Zanelato e os outros dois abordados teriam relatado que a arma era do tráfico, e teriam oferecido parte da renda do tráfico aos PMs.
Em troca o trio pediu aos militares a liberação ou “alívio” na ocorrência. Na audiência de custódia, Elder obteve liberdade provisória, mas, por descumprimento de medidas cautelares, teve a prisão preventiva decretada. Quando o mandado foi cumprido, o celular do investigado ficou apreendido.
Conforme consignado pelo Ministério Público, durante análise do aparelho celular – judicialmente autorizada –, foram identificadas mensagens apontando para o suposto envolvimento das investigadas Yasmin Negrelli, Ana Carolina dos Anjos Marassati, Cristina Pinheiro de Oliveira no tráfico de drogas. Entre contatos salvos, um chama a Atenção: “Deus é Fiel”.
Em uma das mensagens no aparelho, datada de 12 de julho último, consta que Ana Carolina havia sido conduzida à Delegacia (por outro fato) e repassado a Elder informações sobre onde estava a chave de sua residência, informando que Yasmin iria ao local buscar algo que estava escondido no imóvel.
No mesmo dia 12/07/2023, o investigado Elder conversa com o contato salvo como “Deus é Fiel” e informa que, no dia anterior, estava cortando drogas com outros dois indivíduos, quando um familiar de Ana Carolina chegou, e que conseguiu retirar os materiais do imóvel antes de os policiais irem ao local após o depoimento da pessoa que havia chegado quando a droga era cortada.
Ainda no cenário do diálogo, identificou-se, também, mensagem telefônica, na qual Maysa Gallon da Silva indaga a Elder se ele havia pedido a balança para Yasmin. Tem ainda outra mensagem de Maysa para Elder, que seria referência à entorpecentes: “Eu te vendo oq sobrar”.
Apreensão - Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão no endereço de Maysa, na Grande Vitória, foram encontradas drogas e a quantia de R$2.417,00. Também consta na justificativa das prisões (copiado na íntegra):
– ELDER RAFAEL ZANELATO (e outros dois indivíduos) teriam cortado drogas na casa de ANA CAROLINA DOS ANJOS MARASSATI;
– ANA CAROLINA DOS ANJOS MARASSATI, ao ser conduzida à Delegacia por outro fato, teria, em tese, solicitado que YASMIN NEGRELLI fosse até a casa e retirasse as drogas antes da chegada da polícia;
- YASMIN NEGRELLI, além de ter, supostamente, retirado as drogas do imóvel, atuava, em tese, passando informações a ELDER RAFAEL ZANELATO sobre a existência ou não de mandados de prisão contra pessoas do suposto grupo criminoso, valendo-se, para tanto, do acesso aos sistemas que possuía, por ser estagiária do Poder Judiciário;
– CRISTINA PINHEIRO DE OLIVEIRA atuava, em tese, transmitindo recados entre um adolescente que está internado no IASES e ELDER RAFAEL ZANELATO, havendo conversas sobre suposta ordem para cometimento de homicídio.
O nome da operação é uma referência a uma mensagem divulgada por um dos envolvidos, orientando aos demais integrantes da organização para passarem a ideia de que, além de uma quadrilha, formariam uma “grande família”.
Nós abrimos espaço para envio de nota, caso a defesa - ADVOGADO- queira se manifestar: 27 99808-4347 (WhatsApp). Confira abaixo o que disse a defesa das citadas, ainda na ocasião em que a primeira investigada foi solta:
O advogado Júnior Mendonça entrou em contato com a redação, e disse: “é de fácil constatação, inclusive por leigos, que nas provas e nos diálogos vazados da investigação do Ministério Público, que trata-se apenas de meras usuárias, não há nada na investigação que comprove o crime de tráfico, pois, conforme informado, trata-se de usuárias”.
“Tanto é verdade, que uma das investigadas teve sua prisão temporária revogada e foi colocada em liberdade, fazendo assim, justiça”, e a defesa afirmou que “em breve todas as outras investigas, de igual forma, também serão colocadas em liberdade, para assim, ser feito a justiça de forma integral”.
E o advogado prosseguiu: “Ademais, não há que se falar que as investigadas forneciam informações por meio do sistema do Poder Judiciário, tendo em vista que qualquer pessoa da sociedade consegue fazer consulta no sistema da justiça, afinal, trata-se de pesquisa pública, realizada no sistema BNMP e EJUD, basta apenas ter em mãos um aparelho celular com internet, simples assim.”
O advogado ainda disse que “confia na justiça e no Poder Judiciário”, e “comprovará nos autos que as investigadas não incorreram no crime de tráfico de drogas, conduta descrita no artigo 33 da Lei 11.343/2006, e sim incorreram no artigo 28 do mesmo diploma legal, conduta de usuários, e que inclusive, no nosso ordenamento jurídico, não é crime, muito menos passível de prisão.”
E, para concluir, ele disse: “Nesse sentido, está defesa técnica, confiando na justiça, aguarda ansiosamente o desfecho das investigações, para que suas clientes sejam colocadas em liberdade.”
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