
Aumentou para 50 o total das vítimas citadas nos autos sobre um crime previsto no artigo 171, em desfavor de duas mulheres que foram presas em Linhares em 2022, após apurações da Polícia Civil relativas à consórcios de casas, fazendas e carros. O aditamento à Denúncia oferecido pelo Ministério Público movimentou as repartições da 3ª Vara Criminal no Fórum Desembargador Mendes Wanderley nesta quarta-feira (12).
Nesse procedimento, o magistrado aceitou que seja feita uma complementação de fatos, e, com isso, de 20 vítimas enganadas, o número saltou para 50. De acordo com os autos, as sócias Gabriela Rodrigues da Silva, de 25 anos; e Beatriz Marchiori Biancardi, de 23, causaram um prejuízo financeiro de R$ 1.823.176, 39 às vítimas através de consorcio de imóveis e automóveis.
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Conforme consta na denúncia, quando a lista totalizava 20 vítimas, o valor era de R$ 940.391,16. Os autos relatam que as apurações mostraram que as denunciadas orientavam os clientes no momento da contratação do consórcio, a pagarem uma entrada significativa, com a promessa de recebimento rápido de uma carta de crédito, e com vencimento das demais parcelas somente 1 ano da data da contratação.
Acontece que, logo após a contratação dos consórcios, as vítimas começaram a receber avisos de inadimplência financeira devido ao não pagamento de parcelas. Ao procurar a empresa para saber o que havia acontecido, a pessoa constatava que havia sido enganada.
Ainda de acordo com os autos, ao pedir o dinheiro de volta, a pessoa enganada recebia a informação de que isto só seria possível no final do contrato, alguns com duração de 20 anos; e ainda: haveria uma multa pela rescisão contratual.
Os valores citados na lista com os 50 nomes, a qual o Eu Vi em Linhares teve acesso, são diversos: Tem de R$ 3.759,49 e até de R$ 227.000.00. Para atrair as vítimas, a empresa administrada pelas duas mulheres, ainda conforme os autos, utilizava as redes sociais como ferramentas. As empresárias estão presas no CDP de Colatina.
O que diz a defesa das acusadas: Nós entramos em contato com o advogado Fábio Marçal, da Marçal Advogados Associados. E ele disse: “Diante dos acontecimentos ocorridos em audiência e dos fatos apresentados, estamos confiantes na absolvição das investigadas, visto que iremos propor que se proceda outras investigações, uma vez que alguns atores do ocorrido citados em audiência não foram objeto de investigação por parte do Ministério Público e nem pela Polícia Civil.”
“Iremos continuar em busca da verdade real para que se houve prática de delito, os verdadeiros culpados sejam punidos. Vale ressaltar que desde o início do processo as rés negam veementemente qualquer objetivo de causar prejuízos a quem quer que fosse e seguem confiantes que à justiça seja feita", completou. Abaixo, relembre a prisão das empresárias:
Gabriela Rodrigues da Silva, de 25 anos; e Beatriz Marchiori Biancardi, de 23, foram presas pela Polícia Civil, em cumprimento a mandados de prisão preventiva. Isto foi em 28 de novembro do ano passado, 2022. O delegado Fabrício Lucindo Lima disse que as vítimas são moradores de Linhares, Sooretama e Rio Bananal. "Segundo as investigações, da DEIC de Linhares, o prejuízo para as vítimas pode passar de R$ 1.000.000,00 (um milhão de Reais)", disse o delegado naquela ocasião.
Ainda de acordo com o chefe da 16ª Delegacia Regional de Linhares, os golpes funcionavam das seguintes formas: "As empresárias publicavam fotos de casas para vender, bem abaixo do valor de mercado, e, quando as vítimas procuravam a empresa para comprar a casa, descobriam que era um consórcio”, disse Fabrício.
E o delegado continuou: "E a promessa das investigadas era que se a vítima fizesse um pagamento inicial alto, conseguiria levantar o dinheiro para comprar de imediato a casa, e daí iriam continuar pagando o restante das prestações.".
Fazenda - Em outro golpe, ainda segundo o delegado, as mulheres prometeram a um casal que se fizessem um investimento de R$ 200 mil iriam conseguir pegar R$ 1 milhão em carta de crédito para comprar uma fazenda, "que se mostrou um engodo", disse Fabrício. "Uma das vítimas pegou emprestado R$ 140 mil reais para dar de entrada no consórcio, com a esperança de receber R$ 700 mil reais em carta de crédito", acrescentou o delegado.
Várias outras vítimas foram ouvidas e contaram versões semelhantes para a Polícia Civil. Um veículo e celulares das investigadas foram aprendidos.
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