
O julgamento do ex-pastor Georgeval Alves Gonçalves, agora condenado por estuprar, torturar e matar o filho Joaquim Alves, de 3 anos, e o enteado Kauã Sales Butkovsky, de 6, entrou para a história dos já realizados no Fórum Desembargador Mendes Wanderley, e comoveu os linharenses de pessoas de outras cidades que acompanharam cada informação postada sobre o feito. Com debate bastante acirrado entre a acusação e a defesa, os trabalhos presididos pelo Juiz Tiago Camata começaram às 9h de terça-feira (18), e só foram concluídos na noite seguinte, com comemoração da sentença, exceto por parte da defesa: 146 anos e 4 meses de reclusão.
Após a condenação, familiares das vítimas deixaram o salão do Tribunal do Júri aplaudindo, e ali na parte externa deram entrevistas, mas antes oraram. Depois, hostilizaram a defesa quando esta era entrevistada, chamaram o condenado de “assassino” e, diante da fala dos advogados que o defenderam, foi possível ouvir “leva para a sua casa, lá em São Paulo”.
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Quando a viatura com esquipes da Polícia Penal deixou o Fórum para levar Georgeval de volta à unidade prisional, em Viana, outra vez as pessoas o chamaram de “assassino”, “mentiroso”, e falavam que “a justiça foi feita”. A chuva que caiu tão logo foi conhecido o resultado, seriam, de acordo com um parente das vítimas, “lágrimas das crianças”.

Alguns detalhes do julgamento - A defesa tentou a todo custo convencer os jurados de que o cliente, Georgeval Alves Gonçalves, era inocente. “Esbarraram (os advogados) na brilhante estratégia da acusação, que explorou o mínimo item, inclusive a oportunidade de dispensar testemunhas. Para falar a verdade, o réu já se sentou no banco sabendo que as mentiras dele já o haviam condenado”, considera um estudante de Direito que acompanhou os trabalhos.
E no banco dos réus, Georgeval chorou por mais de uma vez. Uma delas foi quando viu o filho (irmão das vítimas que ficou vivo) em imagens projetadas, dizendo que o ama. O ex-pastor se comportou como fez desde a prisão, dias após a morte das crianças: Negou todas as acusações.

Com réplica e tréplica, o destaque ficou mesmo por conta do debate. Um dos momentos mais fortes foi quando fotos dos corpos das vítimas foram projetadas na parede. Muitos não conseguiram acompanhar, e deixaram o salão, outros choraram. A iniciativa do Ministério Público, representado pelos Promotores de Justiça Claudeval França Quintiliano, Cleander César da Cunha Fernandes e Luiziany Albano Scherrer, conforme análise de outro acadêmico, “deu ponto positivo e ajudou muito na condenação, por mostrar a realidade, a triste realidade”, disse o futuro advogado.

O advogado Siderson Vitorino, que atuou como assistente de acusação, também foi elogiado por quem torcia pela condenação do réu. E o que também não faltaram foram elogios para o Juiz Tiago Camata, que presidiu o Júri. Para se ter uma ideia, teve gente que deu um jeito de fotografar o magistrado e depois comemorou, como se a foto fosse um troféu.

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