
As gratuidades previstas em lei beneficiam mais de 1,2 milhão de viagens (giros de catraca) no transporte coletivo atendidos nas linhas municipais e intermunicipal da Viação Joana D´Arc. O levantamento foi realizado pela empresa entre janeiro e dezembro de 2022. Desse total, grande parte do serviço é utilizado pela terceira idade. Foram contabilizadas 583.774 viagens gratuitas realizadas pelos idosos. Em seguida, vem os deficientes físicos e seus acompanhantes com 258.023 passagens.
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O total de gratuidades no período ficaria ainda maior se fossem contabilizados passageiros que não passam pela roleta e por isso não entram nos registros, como é o caso das Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, carteiros, idosos e deficientes com locomoção reduzida e crianças até cinco anos de idade.
Outro benefício, o do Cartão Escolar, foi usado 704.225 vezes. Com ele, o estudante paga apenas a metade do valor da tarifa.
O diretor administrativo da Viação Joana Darc em Linhares, Antônio Luiz Comério, afirma que as gratuidades geram despesas que são incompatíveis com a realidade do transporte público. "A cada ano é menor o número de passageiros pagantes no sistema. Com isso, as empresas encontram dificuldades. Isso porque as leis beneficiam várias categorias com a isenção ou redução de tarifas, mas não indicam quem irá arcar com esses custos, o que denomina-se fonte de custeio”, afirmou.
Comério explicou ainda que parte do valor é custeado pela empresa, mas também é necessário fazer algum repasse para a tarifa, o que penaliza o público pagante. "As políticas públicas devem ser planejadas de modo que beneficiem a todos e permitam o desenvolvimento de um serviço eficiente", disse.
Segundo ele, há necessidade de um reequilíbrio do contrato de concessão firmado com o município para normalizar a operação e evitar o colapso financeiro da empresa. Outra solução é o reajuste imediato na forma de subsídio como ocorre na Grande Vitória (Transcol), Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz e Colatina, além de centenas de municípios em todo o país.
Crime - Comério acrescentou que a empresa precisa lidar diariamente com pessoas que deveriam pagar a passagem, pois não estão nos grupos de gratuidade, mas se recusam. Nesta categoria de evasores de receitas estão os puladores de catraca, os responsáveis por crianças com mais de 05 anos e que já não fazem jus à gratuidade, mas, se recusam a pagar, os fujões, sem falar nos constantes assaltos aos coletivos da empresa, que só em dezembro de 2022 foi quase seis vezes maior que em 2021.
"Essa situação onera muito a passagem. Além disso, utilizar o transporte público e não pagar é considerado crime que consta no Código Penal. É importante lembrar que se alguém se recusa a pagar, mas utiliza o serviço, a conta chegará para outras pessoas. Nesse caso, as despesas geralmente são absorvidas pela empresa, que fecha as contas no vermelho, e pela população", reforçou o diretor.
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