
Crianças que precisam da saúde pública em Linhares contam com a sorte. Cartaz dando conta de que “não tem pediatra” não é exclusividade apenas do Hospital Geral de Linhares (HGL). Neste domingo (31), uma mãe, que preferiu não se identificar, fez um flagrante da falta de pediatra no Hospital Rio Doce. Um cartaz, colado no interior da unidade hospitalar, informa os dias em que não haverá médicos disponíveis para atendimento pediátrico.
Vale lembrar que nos últimos dias o HGL tem sido manchete na mídia por conta da falta de pediatras, cuja consequência foi a morte da menina Bárbara Agostinho Coitinho, de 10 anos, no último dia 10 de agosto. Três médicos acabaram denunciados à Justiça pelo Ministério Público do Espírito Santo (Confira detalhes clicando aqui).
Bilhete
O bilhete afixado no Hospital Rio Doce informa que não haverá plantonista pediátrico no pronto atendimento nas quartas, quintas e sextas-feiras no plantão noturno. A mesma ausência de pediatra também se revela no terceiro, quarto e quinto sábados do mês e em todos os domingos. O bilhete é datado do dia 27 de agosto de 2014. Em contato com o hospital, a informação é que os atendimentos via convênio estão sendo encaminhados para um hospital particular, no bairro Colina.
Há cerca de um mês, o diretor do Hospital Rio Doce, José Zitenfeld Cardia, usou seu perfil no Facebook para explicar que a falta de pediatras para atuar em hospitais é uma realidade que “independe da força de vontade de quem está à frente da unidade hospitalar”. (Confira detalhes clicando aqui). Nós tentamos contato com Cardia, mas a ligação não foi atendida (resposta pode ser incluída a qualquer momento na nossa atualização, caso o diretor se manifeste).
Mais mortes
No dia 10 de agosto deste ano, a menina Bárbara Agostinho Coitinho, de 10 anos, morreu após o médico que atendia a criança ter abandonado o plantão do Hospital Geral de Linhares, o HGL. Bárbara sofria de cardiopatia congênita (anormalidade da estrutura ou função do coração). Três médicos foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (confira detalhes aqui).
A Polícia Civil de Linhares também apurou, em 2010, a morte de duas crianças no HGL e o inquérito foi concluído no ano passado. Na ocasião, o delegado Fabrício Lucindo disse que vários fatores em conjunto contribuíram para a morte das crianças no Centro Cirúrgico do referido hospital.
As mortes aconteceram abril de 2010, quando Guilherme Canudus dos Santos, de um ano e dez meses, e Riquelme Balbino Macedo, de três anos, deram entrada na unidade para enfrentar cirurgias simples. Guilherme iria extrair duas verrugas e a outra criança estava internada por conta de uma hérnia no umbigo. Os dois acabaram morrendo.
O delegado concluiu que entre as causas, faltava manutenção dos equipamentos, ausência de equipamentos obrigatórios no momento da cirurgia (como o analisador de gases) e a negligência médica por parte dos anestesistas. Fabrício Lucindo também concluiu que houve negligência por parte do diretor do hospital, que não determinou o fechamento do centro cirúrgico após a morte dos bebês. Foram inclusos nos autos, a secretária de municipal de saúde da época, o diretor clínico do Hospital Geral de Linhares e quatro anestesistas.

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