
Esse “monte” de caramujos nas fotos foi recolhido por um leitor que mora no Centro de Linhares e está apavorado por conta da infestação. “Junto todos os dias, mas no dia seguinte lá estão eles de novo. Se da calçada consigo juntá-los assim, imagine então lá dentro desses lotes? Eles sobem nos postes, nas grades, nos muros, proliferam sempre que chove. E hoje deu até medo. De uma só vez fiz questão de contar 160, mas depois desisti e comecei a fazer os montes e colocar sal para, pelo menos esses, morrerem. São caramujos africanos e sei que transmitem meningite”, disse o leitor que pediu “providências urgentes”. Abaixo você vai saber o perigo que esses caramujos representam, mas a demanda que enviamos à Prefeitura de Linhares, acreditem, simplesmente foi ignorada.
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O leitor prosseguiu: “Eles (os caramujos) estão aqui nesses dois lotes, na Avenida Rui Barbosa, e essa infestação acontece sempre que chove. É preciso um trabalho voltado para eliminar de vez, pois eles deixam ovos e muitos ovos, e se ninguém tomar iniciativa, nunca vai acabar. Eu queria saber de quem é a responsabilidade? Prefeitura ou proprietários? Tem dias que isso acontece, mas, como expliquei, piora em dias muitos chuvosos”, questiona ele.
O leitor nos procurou no início da manhã, e as 9h24 enviamos a demanda para o e-mail da Secom, o setor de comunicação da Prefeitura de Linhares. Como não obtivemos retorno, voltamos a enviar no início da tarde. E parece que o Município não está “nem aí” para o problema, que é bastante sério. Confira abaixo o perigo que o caramujo africano representa:
De acordo com as informações obtidas nas nossas pesquisas, o caramujo africano pode transmitir duas doenças: a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase. O verme Angiostrongylus cantonensis, causador da meningite eosinofílica, pode se tornar parasita do caramujo africano de duas formas: penetração direta no corpo do molusco ou pela ingestão de fezes de roedores contaminadas. A infecção em humanos ocorre quando é feita a ingestão do muco (gosma) que o caramujo libera para facilitar o seu deslizamento. Por isso, é tão importante lavar e deixar de molho as hortaliças.
A doença tem evolução benigna, mas com sintomas que podem durar de dias a meses: distúrbios visuais, dor de cabeça forte e persistente, febre alta, e sensação de formigamento, queimação e pressão na pele. Nem sempre ocorre rigidez na nuca, como em outros tipos de meningites.
Já a estrongiloidíase é causada pelo verme Strongyloides stercoralis, que pode penetrar na pele do ser humano, atingindo os pulmões, traqueia e epiglote, e depois migrando para o sistema digestivo, tornando-se parasita do intestino. Os sintomas mais comuns são tosse seca, dispneia ou broncoespasmo, edema pulmonar; diarreia, dor abdominal; podendo ser acompanhada por anorexia, náusea, vômitos, dor epigástrica.
Em sua forma grave, a estrongiloidíase apresenta febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias manifestações pulmonares (tosse, dispneia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória). Quando não tratada, pode levar à morte.
Comportamento - Os caramujos sobem e descem muros, atravessam a rua, ou seja, se deslocam no meio urbano de forma a encontrar um lugar aterrado para sobreviver e depositar seus ovos. Alguns ovos também podem ser depositados por pássaros, embora seja uma possibilidade mais remota. Passar cal no muro é uma forma de prevenção ao animal, já que a cal também o desidrata.
Impressionante - O caramujo africano é um animal sem predador natural, que libera de 200 a 500 ovos de uma só vez e transmite as doenças acima citadas. E ele impõe um grande desafio para ser eliminado.
A remoção do animal pode ser feita por qualquer adulto, desde que esteja com luvas e calçados fechados. O caramujo deve ser depositado em um saco plástico preto e grosso, só na sequência deve ser aplicado sal grosso ou refinado no animal, para desidratá-lo e consequentemente, levá-lo à morte.
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