
A decisão do Governo do Estado de suspender a circulação dos ônibus para o público em geral em razão da pandemia até o dia 4 de abril, salvo servidores da Saúde, fez com que os moradores de Linhares sentissem na pele os prejuízos da falta do transporte coletivo. Só para se ter uma ideia da importância desse serviço, basta verificar os números. Em Linhares, conforme apuramos junto a Viação Joana Darc, são registradas mais de um milhão de gratuidades por ano, tendo como destino, idosos, deficientes físicos e seus acompanhantes.
De acordo com o membro da diretoria da Associação dos Deficientes Físicos de Linhares (Adefil), José Geraldo Giovani, a suspensão provisória dos ônibus afeta cerca de 2.700 pessoas com deficiência. Ele ainda alerta para prejuízos graves. “Caso a empresa suspenda definitivamente as atividades em razão da crise, perderíamos o direito às gratuidades e aos ônibus adaptados, outra grande conquista. São direitos adquiridos ao longo dos anos e acarretariam grande exclusão social. As pessoas perderiam o direito ao lazer, de ir à escola, ao médico e a outros serviços”, lamentou.
As alternativas para quem precisa se deslocar de bairros distantes até o Centro, ou até mesmo de Linhares até Sooretama ou vice e versa, doem no bolso, e muito. E como passageiros não possuem condições financeiras de pagar por um transporte por aplicativo ou táxi, o jeito é torcer para que a situação se normalize o quanto antes.
E quando o assunto é prejuízo por conta da falta que fazem os ônibus da Joana Darc, a empresária Maria Aparecida Pereira, moradora de Linhares e dona de um pequeno negócio de distribuição de gás, em Sooretama, pode falar “de cadeira”. Ao explicar como tem enfrentado dificuldades para chegar ao local de trabalho, a mulher até se emocionou.
Maria Aparecida gastava R$ 12 de passagem diariamente na linha Linhares x Sooretama, da Viação Joana Darc. Sem a circulação dos ônibus, teria que pagar mais de R$ 100 com transporte por aplicativo todos os dias. “Isso seria inviável, já que sou pequena empresária e as vendas caíram muito. Com a crise, dispensei os funcionários, atendo sozinha e não posso faltar. Para não deixar de trabalhar, dependo de carona de terceiros todos os dias. Muitas vezes, tenho que fechar o depósito antes da hora, e com isso deixo de vender. A situação é realmente difícil”, contou.
O que diz o Sindnorte/ES - Segundo o secretário de finanças do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Norte do Espírito Santo (Sindnorte/ES), Claudenir Monteiro, o Chaveirinho, a falta dos ônibus nas ruas gera uma cadeia de prejuízos.
Dos 3 mil motoristas registrados pela entidade, 250 estão parados. “Há um medo muito grande do desemprego, pois sabemos que as empresas não conseguem se sustentar sem a geração de receita. Também há muitos relatos de dificuldades de passageiros, já que o valor da corrida dos carros de aplicativo teve uma alta muito grande e o valor fica inviável para muitos”, alertou.
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