
Muitos leitores nos enviaram foto de Vital Scaramussa, morador de Linhares, que faleceu nesta quarta-feira (31) em decorrência de complicações da Covid-19. Nós não conseguimos com nenhum deles maiores detalhes, e nem em qual hospital Vital estava internado. Ele é pai do professor e advogado Lucas Scaramussa, e, para que todos tenham uma verdadeira aula do que é infância, leia abaixo como foi a de Vital, juntamente com outros linharenses, entre eles, o incomparável Neemias Félix, que detalhou e arranca lágrimas de saudades da gente:
“Vital era meu amigo de infância e vizinho por longos anos. Nossa casa ficava em frente à dele. Filho dos saudosos Olímpio e Amélia Scaramussa; irmão de Lucília, Ana, Maria, Celina, Teresinha, Osválter e Osmar. Nos poucos anos da minha curta infância, já que comecei a trabalhar muito cedo, junto com Fernando Margon, Jorge Massete e outros, éramos mais que crianças.
Éramos Tarzan sem Jane e sem cipó, Bill Kid, Tom Mix, Rocky Lane e Hopalong Cassidy, Zorro e outros heróis. Nossos cavalos "só falavam inglês", mesmo sendo de cabos de vassoura. Nossas armas podiam ser espadas feitas com simples ripinhas da serraria do seu Olímpio ou revólveres comprados nas lojas, com coldres, cinturão e tudo.
Os mais pobres, como eu, faziam revólveres de madeira mais ou menos trabalhados. Uma coisa era certa: brincávamos com a mesma alegria. Não me lembro de alguém crescer e virar marginal por causa disso. Naquela época, o xerife prendia o bandido, bem diferente de hoje. Havia uma tal de "patrulha", e a inscrição era selada, sem burocracia, com um simples toque do dedo mindinho.
As mocinhas não entravam, eram um pouco mais velhas que nós e prendadas. Como a Regina Massete, belíssima tocando acordeão, a moda da época, por causa da Adelaide Chiozzo dos filmes da Atlântida. Vital tinha mania de ficar enrolando sem parar os cabelos louros e ralos. Um dia ouvi-o contando um filme estrelado pelo Gastón Santos. E o Vital confundia o personagem com o título do filme, chamando-o de "Flecha Envenenada". Depois que expliquei a diferença, a garotada e eu demos boas risadas.
Fiquei muitos anos sem ver o Vital, até que, tempos atrás, nos encontramos no hall do cinema do Shopping. Que legal! Revivemos muitas lembranças, como alegres e saudosas crianças sessentonas!
Que o Senhor o receba na Sua morada eterna, meu amigo. E que, como ouvíamos quando brincávamos ainda crianças: "que a terra lhe seja leve". À família, meus mais profundos sentimentos. Acho que caiu um cisco no meu olho...”.
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