
Há exatos 18 anos o Estado do Espírito Santo viveu um dos dias mais difíceis quando o assunto é a insegurança e a luta contra a corrupção: A morte brutal do Juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado a tiros em Vila Velha, aos 32 anos.
Quando atuou na Comarca de Linhares, ele fez a diferença e já mostrava a luta pela justiça no estilo “doa a quem doer”. O Judiciário funcionava nos módulos da Praça 22 de Agosto.
Nesta quarta-feira (24), o pai dele, Alexandre Martins de Castro, como faz todos os anos desde que perdeu o filho, publicou sobre o crime nas redes sociais, acompanhado da foto em destaque. Confira a íntegra abaixo:
“Há dezoito anos, exatamente no dia 24 de março de 2003, pouco antes das oito da manhã, um jovem juiz, de 32 anos saía de casa, em sua camionete, dirigindo-se para a Academia onde se exercitava. E lá chegou dois ou três minutos para as oito, horário em que treinaria com sua personal.
Esse jovem, chamado ALEXANDRE MARTINS DE CASTRO FILHO, era conhecido como um obstinado combatente do crime organizado, cujas sentenças eram tão corretas como duras, atuando, também em processos de roubo de carga de caminhões.
Ele não se intimidava, não se escondia, não faltava nem chegava atrasado, não protelava, não fazia acordos espúrios: era honesto, brilhante inteligente, grande juiz, hábil mestre de Direito. Atuou na primeira força tarefa federal, no Espírito Santo.
Mas o que muito me impressionava nele era a simpatia que ele irradiava, sempre sorridente, educado, ao mesmo tempo querido e respeitado por todos os que o conheceram: nunca ninguém fez a mim qualquer observação negativa dele. Pelo contrário.
Comigo, sempre foi meu amigão e carinhoso. Conversávamos sobre qualquer assunto como iguais. Quando chegava ou se despedia, sempre abaixava um pouco a cabeça (ele era levemente mais alto que eu), para que eu o beijasse na testa. Fazia isso em qualquer lugar, na frente de qualquer pessoa.
Naquela fatídica manhã, saltou de seu veículo, ainda sonolento, com a pochete presa à cintura e a toalha sobre o ombro, vestindo um calção preto, camiseta branca e tênis. Antes de se afastar do carro, levou um tiro que lhe cortou a principal artéria do coração e outro tiro que lhe perfurou o crânio. Giliardi havia atirado. Lombrigão, o outro matador, deu-lhe o "tiro de misericórdia", acabando com o assassinato.
Condenados Giliardi, Lumbrigão, Pardal e Yoshito (executores), Valêncio, Romilsom e Cabeção (intermediários), chegamos, a duras penas à condenação de Ferreira, como um dos mandantes. Um deles.
Há um outro, que era Juiz, que foi aposentado administrativamente por corrupção, que ganha como proventos do "castigo" quantia que chega, no mínimo a trinta mil reais mensais. Nós pagamos essa conta!
Há dois anos e meio eu disse publicamente que não tinha mais ódio desse ex-juiz, porque a ira (que é um dos pecados capitais) estava me fazendo mal: é ruim dormir e acordar com ódio de uma pessoa e isso me tirava concentração para minhas tarefas.
Disse que não tinha mais ódio, MAS NÃO DISSE QUE O PERDOAVA, até porque um pai não pode perdoar quem manda matar seu filho. Mas disse, na mesma hora e na frente de todos, que ele tinha contas a ajustar com o Ministério Público e deveria se submeter a julgamento em Júri Popular. Falei tudo isso, repito, há dois anos e meio.
Mas ele, como ex-juiz criminal do mal, aproveita-se de "brechas" da lei e foge do julgamento, por saber que sua culpa ficará estampada para os jurados.
TODOS PERDEMOS, REPITO! Eu perdi um filho querido, meu herdeiro, que não teve oportunidade de me dar netos. A sociedade inteira perdeu um magistrado de primeira linha, que foi o professor de todos, não porque todos o conhecessem em sala de aula, mas ele ensinava a todos com seu exemplo, com sua grandeza e sua humildade.
Hoje, 18 anos completado, não posso organizar um evento, em respeito ao distanciamento social gerado pelo COVID.
Por isso peço a todos que lerem essa postagem que interajam de qualquer forma, curtindo, marcando uma figura que expresse o seu pensamento, fazendo um comentário, ou que compartilhem esse texto, para preservar a memória dele.
Mas, finalmente, peço a cada um que ler esse artigo que dedique UM MINUTO DE SUA VIDA, hoje, numa oração, prece, ou reza, pedindo a nosso Deus e Pai Celestial, que mantenha o Alexandre Martins de Castro Filho em Seu Reino de Glória e que faça prevalecer, para o trânsfuga que foge do julgamento, uma pena justa e exemplar.
Obrigado por se sujeitarem a um texto tão grande, mas eu não poderia escrever menos!”.
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