Sexta, 24 de Setembro de 2021
27 99808-4347
Colunistas 2 carnavais!

Delegado lembra quando Brasil teve 2 carnavais no ano, e pede respeito para 2021, com festa cancelada

Aproveite para ter uma “aula” de História sobre o evento no País.

06/02/2021 09h19 Atualizada há 8 meses
Por: Redação
Delegado lembra quando Brasil teve 2 carnavais no ano, e pede respeito para 2021, com festa cancelada

Você conhece a história dos anos que o Brasil teve dois carnavais? Pois é, isto aconteceu sim. E neste ano de 2021, a pandemia do novo coronavírus mudou os planos no mundo, mas vamos aos fatos, através do brilhante texto do Doutor Fabrício Lucindo Lima:

Caros leitores, hoje vamos falar sobre um assunto interessante: o carnaval de 2021.  Todos vocês têm visto notícias do Brasil inteiro sobre o feriado do carnaval, e em alguns municípios e Estados da nação, foram canceladas as folgas; em outros foram proibidas as festas, bailes, blocos e outros, ou seja, de uma forma ou de outra o carnaval 2021 foi cancelado por conta da pandemia.

Continua depois da publicidade

Observem como essa trágica pandemia está mudando nossas vidas. Em quase meio século de vida, eu nunca havia ouvido falar sobre a possibilidade do cancelamento do carnaval, festa que se tornou uma coisa quase que sagrada  na cultura popular brasileira, muita gente se diverte, outros satanizam as datas, mas aproveitam as folgas; o pessoal dos serviços essenciais e das escalas de revezamento não param, e tem ainda uma turma que aproveita para ganhar um dinheiro para reforçar o orçamento.

Pois bem, intrigado sobre essa história de adiamento ou cancelamento do carnaval, acabei pesquisando um pouco sobre o assunto e descobri que já tivemos dois episódios semelhantes no passado.

Continua depois da publicidade

A primeira vez em que a festa popular foi adiada, foi em 1892. O ministro do interior da época, decidiu mudar a data para o mês de junho, no final do século XIX, o carnaval começava a se firmar no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas ainda era conhecido como uma festa violenta, em que as pessoas saíam pelas ruas fantasiadas e se atacavam com farinha, água, limões, tomates podres e até dejetos humanos e de animais.

Pois bem: para o tal Ministro, junho era um mês “mais saudável” do que fevereiro por conta do calor, já que havia um pensamento comum de que no calor, os vírus e as bactérias se propagavam mais ferozmente. Ainda não existiam escolas de samba e a festa era somente nas ruas, conhecida como Entrudo. Pronto, não deu certo! Os foliões ignoraram as regras e tivemos dois carnavais, sendo um em fevereiro e outro de junho.

Em 1912, já no século XX, a época da modernidade, a festa popular estava quase pronta para acontecer; no entanto, faltando apenas alguns dias para os quatro dias de folia, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o “Barão do Rio Branco”, homem influente em todo o país e no exterior, Ministro das Relações Exteriores por quase uma década, morreu, aos 66 anos, vítima de insuficiência renal.

Continua depois da publicidade

O falecimento causou uma comoção nacional. O Brasil caiu em luto. No Rio de Janeiro, a capital da República da época, uma multidão fez fila no Palácio do Itamaraty para ver o cadáver do Barão e acompanharam o caixão até o Cemitério do Caju, onde o ministro foi enterrado com honras de chefe de Estado.

Dada à situação de comoção generalizada, o Governo determinou que em respeito ao Barão, os bailes de carnaval deveriam ser adiados para 6 de abril, na páscoa. Os clubes que organizavam bailes à fantasia, em especial os do Rio, acharam que seria um desrespeito promover a esbórnia em pleno período de luto, então, aceitaram a determinação e decidiram cancelar os bailes em cima da hora e remarcá-los.

Continua depois da publicidade

A princípio, a população havia aceitado a ideia de ter o carnaval em abril, no feriado da Páscoa. Contudo, quando chegou o sábado de carnaval, os foliões decretaram que uma semana de luto estava mais do que bom e foram para as ruas. Muitos, inclusive, em meio à festa, enaltecendo a figura do falecido. Outros, fazendo graça com a história toda.

Semanas após, no feriado da Páscoa, em abril, outro carnaval. Mais quatro dias de folia nas ruas e criaram até uma marchinha de carnaval em homenagem ao Barão e o carnaval: “Com a morte do barão, tivemos dois 'carnavá'.  Ai, que bom, ai, que gostoso, se morresse o marechá”, em referência ao Marechal Hermes da Fonseca, presidente do Brasil na época.

Meus amigos, essas são histórias de um país, de um povo que não leva as coisas a sério. Estamos passando por uma pandemia sem precedentes, nossos amigos, parentes, os parentes de nossos amigos, nossos colegas de trabalho, pessoas que nós conhecemos, do nosso convívio, estão ficando doentes e estão morrendo... e nós... continuamos brincando, fazendo piadas e até desrespeitando nossos mortos.

Espero sinceramente, pelo menos desta vez, que as determinações sejam respeitadas e que tenhamos um feriado de carnaval sem festas, bailes, blocos, escolas de samba e aglomerações, para o bem de todos. Quem sabe no ano que vem, todos nós estaremos vacinados e imunizados?

*Fabrício Lucindo Lima é delegado da Polícia Civil, chefe da 16ª Regional no ES

3 comentários
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias