
A comemoração dos 100 anos de memória do maior herói de Linhares, Bernardo José dos Santos, o Caboclo Bernardo, promete ser inesquecível: a Secretaria Municipal de Cultura, com diversas parcerias, promove uma grande festa de 5 a 8 de junho, n a Vila de Regência Augusta, onde milhares de pessoas são esperadas. Os preparativos para receber esses turistas e fazer uma festa memorável estão a todo vapor no balneário.
Desde o início do ano, muitas reuniões direcionam os trabalhos, e na da manhã desta terça-feira (6), diversas secretarias municipais apresentaram suas ações em prol da festa. A Secretaria de Serviços Urbanos começa nos próximos dias a intensificar seus trabalhos na vila, com poda de árvores, capina, pintura de meio fio, roçagem, retirada de entulho, entre outros serviços.
Segurança
A segurança será reforçada pela Secretaria de Cidadania e Segurança Pública, que também estará presente por meio da Guarda Municipal e de Agentes de Trânsito. Um torneio de futebol será organizado pela Secretaria de Esporte e Lazer. Também estiveram presentes na reunião as secretarias de Cultura, Turismo e Comunicação, a Associação de Moradores da Vila de Regência e o Projeto Tamar. Também estiveram presentes na reunião as secretarias de Cultura, Turismo e Comunicação, a Associação de Moradores da Vila de Regência e o Projeto Tamar.
Decoração será feita por artistas locais
Os enfeites que deixarão a vila ainda mais bonita para a Festa de Caboclo Bernardo estão sendo feitos por mãos linharenses. O artista plástico Luiz Natal, de 61 anos, já começou a confeccionar a ornamentação. Serão 18 estandartes e cerca de 1000 flores de papel, tudo feito artesanalmente. Morador de Regência há 19 anos, Natal diz estar animado para a festa. "Vai ser muito bom. A festa ficará muito bonita", afirma o artista que em breve expõe seu trabalho no Porto Histórico de São Mateus. Outros artistas locais devem compor a equipe de decoração, como Vaninho Bragatto.
O naufrágio do Imperial Marinheiro
Na madrugada de 7 de setembro de 1887, uma noite de tempestade com mar revolto, o Cruzador Imperial Marinheiro, que se dirigia em comissão de sondagem a Abrolhos, chocou-se contra o pontal sul da barra do rio Doce, a cerca de 120 metros da praia do povoado de Regência, distrito da cidade de Linhares, no Espírito Santo.
Um escaler com doze tripulantes foi baixado para buscar socorro em terra; destes, apenas oito chegaram à praia.
A população de Regência mobilizou-se para tentar auxiliar a tripulação do cruzador que naufragava, mas pouco se podia fazer por causa do mar violento. Ao amanhecer do dia, Bernardo se dispôs a nadar até o navio levando um cabo de espia, por onde os tripulantes poderiam vir um a um, pendurados, até à praia. Bernardo lançou-se quatro vezes ao mar, sendo arremessado de volta a terra pelas ondas. Na quinta tentativa, obteve sucesso e o cabo foi amarrado ao navio.
Bernardo, ao lado de três marinheiros do navio de guerra, participou de todo o processo do resgate, acompanhando os náufragos até a praia num pequeno bote amarrado ao cabo. Graças aos esforços de todos, após cinco horas de luta, dos 142 tripulantes do "Imperial Marinheiro" salvaram-se 128. Não há registro se os corpos das 14 vítimas fatais foram ou não encontrados posteriormente.
No dia 20 de setembro de 1887, Bernardo recebeu uma homenagem pública em Vitória, capital da província. Em entrevista ao jornal "A Província do Espírito Santo", ele declarou "eu vi o navio perder-se e então prendi o cabo aos dentes e atirei-me ao mar para salvá-los". Em seguida, ele viajou para o Rio de Janeiro, onde em 29 de setembro foi recebido pela alta cúpula da Marinha de Guerra. Em 6 de outubro, numa audiência, a Princesa Isabel o condecora com uma medalha de ouro e lhe confere um diploma onde se lê: "Eu princesa Isabel Regente, em nome do Imperador o Sr. D. Pedro II: faço saber aos que esta carta virem, que atendendo a dedicação não comum pela humanidade que mostrou o remador da catraia da Barra do Rio Doce, que Bernardo José dos Santos, salvando com risco da própria vida às de muitos indivíduos, por ocasião do naufrágio do "Imperial Marinheiro", ocorrido na madrugada de 7 de setembro, próximo findo, a duas milhas ao sul daquela barra, e querendo dar-lhe uma demonstração de meu imperial agrado, por tão importante serviço: Hei por bem fazer-lhe mercê de medalha de 1a. classe designada pelo Art. 1 das instruções a que se refere o decreto No. 1579 de 14 de março de 1855. 66o. anos da Independência do Império. (Ass.) Princesa Imperial Regente - Barão de Cotegipe."
Esquecimento e morte aos 54 anos
Bernardo voltou à Barra do Rio Doce e à sua vida rotineira de pescador. Participou ainda de outros resgates de navios, mas nenhum tão dramático quanto o do "Imperial Marinheiro"; com o passar do tempo, ele acabou caindo no esquecimento. A medalha da Regente, por muitos anos, esteve guardada na residência de um comerciante da região, Cléris Moreira. Seu paradeiro atual é ignorado e suspeita-se que tenha sido roubada por alguém que desconhecia seu valor histórico.
Em 3 de junho de 1914, ao voltar de uma pescaria, Bernardo sentou-se num banco no barraco onde vivia e aguardava que a esposa preparasse o almoço quando foi surpreendido pela entrada repentina de Lionel Fernandes de Almeida. Bêbado, o invasor deu-lhe um tiro de garrucha à queima roupa e fugiu. Bernardo tombou, já morto, aos 54 anos de idade.
Lionel Fernandes foi preso pouco depois e condenado a 17 anos de reclusão, tendo todavia, por razões desconhecidas, recebido indulto em 20 de maio de 1920. Anos depois, perguntado sobre o motivo do crime, teria respondido: "Cachaçada... questão de mulher". Baseado nesta declaração e em evidências indiretas, suspeita-se que a mulher de Lionel, cansada dos maus-tratos que sofria, buscou abrigo no barraco de Bernardo, o qual acabou por pagar com a vida este último gesto de generosidade. (Fonte: Wikipédia)
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