
A segunda-feira (5) foi marcada pelo início da greve organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Linhares (SISPML). A categoria fez um ato na Praça Nestor Gomes, no Centro, e anunciou uma paralisação por tempo indeterminado. Por enquanto, apenas a Educação e alguns poucos setores da Prefeitura aderiram à greve. O primeiro dia do movimento ganhou força com a presença do Sindiupes, que está à frente da greve dos professores do Estado.
Durante o ato realizado na Praça Nestor Gomes, a direção do SISPML alegou que o município interrompeu as negociações e não aceitou a proposta de aumento salarial de 15%. Inicialmente, o sindicato havia solicitado um reajuste de 30%. Para tirar todas as dúvidas e explicar o que a Prefeitura estará fazendo para entrar em acordo com os grevistas, o secretário de Administração, João Luiz Nascimento (foto), concedeu uma entrevista ao Site Eu Vi Em Linhares. Foi na tarde desta segunda-feira, e você confere abaixo:
Eu Vi Em Linhares: Secretário, o que está parado até o momento.
João Nascimento: Por enquanto, apenas as escolas aderiram ao movimento. Há casos pontuais em outros setores, mas todos os serviços essenciais, como saúde, limpeza, o administrativo da prefeitura, tudo está funcionamento normalmente.
Eu Vi Em Linhares: O sindicato alega que o município interrompeu as negociações.
João Nascimento: Isso é uma completa inverdade. O sindicato fez a proposta de 30%, nós apresentamos em primeira reunião a nossa proposta, que não foi aceita pelo sindicato. Contudo, até o momento, não chegou em minhas mãos nenhuma contraproposta. Isso configura que quem está deixando de dialogar é o próprio sindicato.
Eu Vi Em Linhares: Mas eles alegam que fizeram uma contraproposta de reajuste salarial de 15%.
João Nascimento: Novamente essa informação não procede. Até o momento, o único protocolo oficial feito pelo sindicato é o de número 3607/2014, onde consta um pedido de reajuste de 30% e outras vantagens. Desde então, nenhum outro documento foi entregue pelo sindicato. Para nós, permanece o pedido de 30%.
Eu Vi Em Linhares: Quanto que o município ofereceu à categoria?
João Nascimento: Nós propusemos um aumento salarial de 4,5%, reajuste de 6,67% no tíquete alimentação, abono salarial de R$ 730,00 para aposentados, pagos em uma única vez, e a implantação de um novo plano de cargos e salários, algo que não é revisto desde 1992, e acerto na tabela inicial do piso nacional de salários para o magistério, que antes era feito como complemento.
Eu Vi Em Linhares: Mas secretário, 4,5% de aumento não é muito pouco? O senhor não acha que a categoria tem razão em fazer greve diante de uma proposta tão baixa?
João Nascimento: Veja bem. Este é o percentual que o município pode oferecer sem comprometer o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, temos que lembrar que nas gestões anteriores houve anos em que os reajustes foram abaixo do Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), sendo que em 2010 o município deu 0% de aumento, repito, zero por cento de aumento, e o sindicato não se mexeu no sentido de fazer greve.
Eu Vi Em Linhares: O senhor acredita então que trata-se de um movimento político feito em ano eleitoral?
João Nascimento: Todo brasileiro é político por natureza. A greve é um direito constitucional, é uma conquista dos trabalhadores. Digo apenas que em todo movimento grevista há sim um condão político. Exemplo disso é que média de reajuste entre 2009 e 2012 foi de 4,925% ao passo que de 2013 a 2014, com a atual proposta do município, já atingiremos o percentual de 5,34% de aumento e ainda estamos propondo a revisão do plano de cargos e salários. Se levarmos em conta que no primeiro ano de gestão aumentamos o tíquete alimentação em 50%, considero que a atual gestão tem feito avanços significativos para a valorização do servidor. E deixo claro que o município está aberto ao diálogo com o sindicato.
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