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Pandemia: Após videoconferência, delegado lembra (e alerta) época do orelhão

Ele também lembrou que vendeu uma linha telefônica para custear o casamento!

17/06/2020 13h01 Atualizada há 10 meses
Por: Redação
Pandemia: Após videoconferência, delegado lembra (e alerta) época do orelhão

Lembra quando uma linha de telefone custava mais de R$ 15 mil? Ah, e quando se fazia fila para ligações no “orelhão” e esperava ele ficar lotado de fichas para poder ligar de graça? O que isso tem a ver com esse tempo de pandemia causada pelo novo coronavírus? Leia o que o delegado Fabrício Lucindo Lima escreveu: 

Meu caros leitores, hoje gostaria de passar para vocês um pouco de minha experiência de vida, da evolução rápida do pensamento humano, da tecnologia, muitas vezes para o bem, outras para o mal. Introduzindo o assunto, relembro a todos vocês que na década de 70, no município de Iúna – ES, não existiam telefones residenciais, orelhões, celulares, computadores; a população se comunicava por cartas e telegramas, em uma emergência extrema havia a possibilidade de se fazer uma ligação em um único posto telefônico da cidade.

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Pois bem, na década de 80, no bairro Araçás em Vila Velha, ninguém tinha linhas telefônicas em casa. Naquela época, quem tinha uma linha telefônica em casa e a disposição, era considerado uma pessoa “rica”, da classe alta,  o aparelho telefônico tinha lugar de destaque na sala, muita gente tinha um móvel especial, um aparador, só para colocar o aparelho sobre ele.

Quem queria fazer alguma ligação telefônica naquela época, usava um único “orelhão” do bairro, que ficava em frente ao “bar do Agenor”, único lugar onde se vendiam as fichas telefônicas também. Costumeiramente, ficávamos aguardando na fila para fazemos ligações. A meninada esperava o reservatório de fichas do orelhão encher, pois neste momento fazíamos ligações gratuitas, até um técnico da antiga “Telest” resolver passar pelo local  e esvaziar o recipiente de fichas do telefone.

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Em meados da década de 90 eu comprei uma linha telefônica e, pasmem, eu a alugava pelo valor de meio salário mínimo, um sujeito me pagava, em valores de hoje, R$ 500,00 (Quinhentos Reais), só para usar minha linha telefônica fixa.  Quando eu resolvi me casar, vendemos a linha telefônica para custear os gastos do casamento, acreditem  se quiserem, vendemos pelo equivalente a $ 3.500,00 (Três Mil e Quinhentos Dólares), ou seja, mais de R$ 15.000,00 (Quinze Mil Reais) em valores de hoje, metade do valor de um carro popular novo, inacreditável.

Mas, saindo da introdução e entrando no assunto que realmente importa, nesta semana que passou, fui surpreendido com um convite para participar de uma conferência por videochamada, com diversas autoridades municipais, tendo como assunto, a pouca participação popular no chamado “afastamento social”, um projeto médico científico para tentar baixar a curva de contaminação, ou seja, uma tentativa de evitar que muitas pessoas se contaminem ao mesmo tempo, evitando também que os hospitais sejam sobrecarregados  de muitos doentes ao mesmo tempo e, assim, vidas seriam poupadas. Em tese, se você puder, fique em casa para não ser contaminado e  não contaminar outras pessoas. Esse basicamente é o aconselhamento dos médicos do mundo inteiro e da ciência.

Então, depois de terminada a videoconferência, comecei a pensar sobre o assunto mais profundamente, assustado com a evolução tecnológica dos meios de comunicação dos dias atuais, videochamada na minha juventude, era coisa de filme de ficção científica, tecnologias que para mim eram inimagináveis, estão se tornando realidade. Vocês se lembram do que foi falado acima, da dificuldade de comunicação nos anos 70, 80 e 90? Olhando por esse prisma da comunicação, hoje passamos e recebemos informações 24 horas por dia, é só abrir o celular, televisão, ouvir o rádio e ligar o computador que as informações estão na nossa cara. Em tese, nos dias de hoje, seria muito mais fácil controlar uma epidemia como essa, os sistemas de comunicações, avisos, as noticias chegam a qualquer rincão desse imenso Mundo de seres humanos.

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Infelizmente, o amplo sistema de comunicação que existe hoje, ao contrário do que eu pensava, não tem ajudado nosso povo a se convencer sobre a necessidade de preservação da saúde, e o motivo disso tudo é bem simples. Todos nós sabemos que os alucinados, os loucos,  e os mal-intencionados sempre existiram, estavam sempre ali ao nosso lado, mas nunca tiveram voz, ninguém os levava muito à serio; Mas, por mais incrível que possa parecer, o processo de dinamização da comunicação e das informações, também deu voz e crédito a essas pessoas, hoje eles estão ai, falando em terraplanismo, inimigos imaginários, teorias de conspiração  e outros. Quem diria que uma figura como “Sara Winter” e seus minguados seguidores, ganhariam notoriedade mundial...

Relembro a todos vocês que, dando apenas alguns exemplos, que quando nós acreditamos na ciência e na preservação da vida o nosso país se tornou referência no combate e prevenção a contaminação da “AIDS”, uma doença que era o terror dos anos 80 e 90. Nós acreditamos na ciência quando no final da década de 80, nos informaram que o cigarro fazia mal para a saúde e 35% (trinta e cinco por cento) de nossa população eram fumantes e hoje este número baixou para menos de 9 % (nove por cento); Nós acreditamos nas vacinas e a paralisia infantil foi derrotada... E por ai vai.

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Será que realmente nós precisamos neste momento, andar pelas ruas desnecessariamente? Será que precisamos sair às compras em shoppings? Fazer churrascos, festas e convidar amigos e parentes? Precisamos realmente visitar parentes e amigos? Será que, neste momento de crise, precisamos ter contatos sociais, andar sem máscara de proteção? Será que...

Meus caros amigos, lembrando do pensamento de um grande filósofo da atualidade: “Por mais que eu possa dizer que os cientistas não sabem “nada”, muito provavelmente, por terem passado a vida inteira estudando muito, talvez, sabem bem mais do que eu, que sou apenas um curioso...” Então, vamos confiar na ciência! Finalizo o texto com uma frase adaptada de uma musica de Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza das respostas da “ciência”... é a vida.. é bonita e é bonita...”

*Fabrício Lucindo Lima é delegado de Polícia Civil, e chefia a 16ª Delegacia Regional.

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