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Pandemia: Mulheres que tratam câncer revelam seus hobbies

Montar um quebra-cabeça de 500 peças, estudar pela internet, fazer exercícios físicos, fabricar máscaras contra a Covid-19 para doação...

28/05/2020 11h24
Por: Redação
Pandemia: Mulheres que tratam câncer revelam seus hobbies

Montar um quebra-cabeça de 500 peças, estudar pela internet, fazer exercícios físicos, fabricar máscaras contra a Covid-19 para doação. O que poderiam ser consideradas atividades triviais do dia a dia viraram aliadas de primeira linha para pessoas que fazem tratamento de câncer em plena quarentena.

A assistente jurídico Edijanira Zuliane Campos, 45 anos, da Serra, descobriu o câncer de mama em 2015. Depois de passar por sessões de radioterapia no Instituto de Radioterapia Vitória (IRV) e quimioterapia, ela superou o tumor e segue em tratamento com medicação oral e infusão a cada 90 dias, além de se submeter a exames de controle.

Nesses tempos de isolamento social, Edijanira descobriu três atividades que lhe garantem diversão: fazer cursos on-line na área de Direito, montar quebra-cabeça e fazer atividade física com a filha Rebeca, de 9 anos, que é karateca. “Nesse período de quarentena tenho feito cursos on-line de Direito para me atualizar e me exercito duas vezes por semana com minha filha. Também separei um lugar da casa pra montar um quebra-cabeça de 500 peças. Qualquer um da família passa e monta”, conta Edijanira.

Alegria em ajudar

A recreadora Larrubia Coimbra, 61 anos, superou um câncer de mama em 2018 e segue em tratamento com medicação oral e consultas periódicas. Durante a pandemia, descobriu um hobby que lhe permite ajudar outras pessoas: está confeccionando máscaras de tecido. “Faço máscaras de pano para doação. É um hobby que me faz bem, ainda mais agora que a gente não pode sair de casa”, disse Larrubia, moradora de Vila Velha.

Música e exercícios

Já a autônoma Karina Constantino Duarte, 33 anos, da Serra, conta que a música e a atividade física têm sido suas companheiras. Ela enfrentou o câncer de mama em 2019, passou por cirurgia e radioterapia. Hoje faz acompanhamento periódico com medicação oral. “Gosto muito de me exercitar em casa e ouvir música. Tenho uma filha de 6 anos e ela gosta de se exercitar comigo. Tento pensar positivo e sempre acredito que fases ruins passam”, diz Karina.

Impacto emocional

A radio-oncologista Lorraine Juri, do IRV, explica que pessoas com câncer muitas vezes já ficam mentalmente fragilizadas pelo diagnóstico, prognóstico e pelo enfrentamento do tratamento. Associado a isso, a pandemia de coronavírus e as medidas de distanciamento social podem deixá-las ainda mais negativamente impactadas emocionalmente.

“Todos os envolvidos no tratamento oncológico precisam estar com a estrutura emocional fortalecida. Observo na prática clínica que os pacientes que estão com a saúde mental mais leve, que conseguem se desconectar do 'mundo do câncer' de alguma forma, conseguem aliviar o estresse do tratamento oncológico”, afirma a especialista.

A médica afirma que ter um hobby ou uma atividade que traga alegria podem ajudar. “Ter uma distração nesse período de quarentena é importante para qualquer um de nós, em especial para os pacientes com câncer. Ocupar a cabeça e manter mente e corpo sãos para encarar os desafios do tratamento oncológico”, diz Lorraine Juri.

Segundo ela, alguns sintomas podem indicar que a saúde mental não vai bem. “Alterações do humor, problemas com o sono, mudanças de apetite, desorientação de tempo e espaço, raciocínio ilógico e apatia são alguns desses sinais. É importante ressaltar que só um especialista pode diagnosticar e tratar qualquer doença mental”, alerta a médica. (Por Vera Caser)

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